CAMPO E LAVOURA – Abordagem do javali

Dois meses depois de o primeiro caso ser divulgado, o mistério das sementes recebidas pelo correio sem solicitação foi parcialmente esclarecido. Em 47% das 36 amostras analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás, foi identificada a presença de pragas desconhecidas, que representam ameaça fitossanitária para o Brasil. A origem e razão do envio seguem sendo apuradas.

E o universo a ser explorado é imenso. No total, o Ministério da Agricultura contabiliza 480 materiais recebidos de todas as partes do Brasil. Desses, em torno de 300 estão em exame e mais de cem tiveram de ser descartadas por que a avaliação era inviável, explica o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da pasta, Carlos Goulart:

– Como não se sabe o que estamos procurando, é preciso uma análise exploratória, completa para identificar todos os tipos de organismos que possam estar presentes.

No Rio Grande do Sul, já foram coletadas 78 amostras , incluindo o material entregue via Secretaria da Agricultura, que segue chegando.

– A identificação de pragas desconhecidas feita até o momento mostra que o trabalho de prevenção deve ser fortalecido, nas avaliações de risco, nas fiscalizações de material que ingressa no Brasil e na conscientização da população – reforça Ricardo Felicetti, chefe da divisão de Defesa Sanitária Vegetal da secretaria.

Importante lembrar que envelopes com sementes não devem ser manuseados nem descartados. Em caso de recebimento, entre em contato com as autoridades sanitárias.

Há dois pontos importantes que se destacam em meio ao debate sobre como conter o avanço do javali no território gaúcho, tema de audiência pública realizada pela Assembleia. A ampliação do prazo de validade da licença dos controladores (com autorização para abate da espécie) atende em parte aos pedidos que vêm sendo feitos. A superintendente do Ibama no Estado, Cláudia Costa, informou que a vigência passará de três para seis meses.

Merece atenção, também, além dos prejuízos causados em propriedades rurais, o risco sanitário trazido pela espécie invasora exótica. Presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber alerta para o fato de o javali ser suscetível (podendo contrair e proliferar) a doenças como febre aftosa, pestes suína clássica e africana, de Aujeszky e síndrome respiratória suína:

– A atenção do Brasil se volta ao Rio Grande do Sul porque é o de presença mais forte de javali, em razão da fronteira com o Uruguai, de onde veio a espécie.

Considerado nocivo, o animal e seus híbridos (caso do javaporco, cruza com o suíno doméstico) têm autorização, desde 2013, para serem eliminados, conforme instruççao normativa do Ibama. Há ainda um plano nacional e um estadual para controle (aos cuidados das pastas da Agricultura e do Meio Ambiente). No total, há 750 controladores, treinados e registrados.

– Ficou claro a urgência em uniformizar a legislação, flexibilizar as regras para expandir o controle dos animais soltos a campo e cadastrar, para fins de abate, os javaporcos de cruza involuntária e que estão em galpões de propriedades – disse o deputado Elton Weber, um dos proponentes da audiência e que coordenará um grupo de trabalho sobre o tema.

O primeiro encontro dos integrantes está marcado para o dia 10 de dezembro.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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