CAMPO E LAVOURA | A taxa que pode esfriar a relação entre produtores e frigoríficos

É esperada para este mês uma definição em torno de um assunto que vem provocando debate entre produtores e indústria de carne bovina do Estado nos últimos dois anos. É a cobrança da chamada taxa do frio, que deduz 2% do peso da carcaça para compensar a perda sofrida no processo de resfriamento nas câmaras frias. Pecuaristas querem derrubar o desconto e prometem brigar na Justiça se as negociações não avançarem – como sinalizado, no final de 2020, por meio de votação tanto na Federação da Agricultura (Farsul) quanto na Federação das Associações Brasileiras de Criadores de Animais de Raça (Febrac).

A Farsul retoma as atividades na próxima semana e retomará o debate. O último movimento foi o posicionamento enviado pelo Sindicato das Indústrias de Carnes e Produtos Derivados (Sicadergs) com questões levantadas pelos produtores.

Presidente da Febrac, Leonardo Lamachia diz que a entidade avalia o documento como inconclusivo em relação à retirada da cobrança:

– Discutiremos o assunto internamente. Sou defensor de resolver pela negociação. Por sermos parte de uma cadeia, seria o melhor. Não sendo possível, as entidades já estão autorizadas a judicializar.

Entre os argumentos dos produtores está o de que o Rio Grande do Sul é o único Estado do Brasil a ter essa taxa. Outro questionamento, aponta Lamachia, é o de que a cobrança é linear, sem considerar variações.

Presidente do Sicadergs, Ronei Lauxen explica que a entidade tem atuado na intermediação do tema:

– Não temos como interferir em uma questão comercial. É um modelo de compra que existe há décadas.

Grande número de empresas concordou, afirma, em propor para as entidades uma terceira modalidade de compra. Seria a de rendimento de carcaça "quente", a ser adotado a partir de 1º de agosto. Hoje, há duas formas de venda do produto: com pagamento por quilo vivo, com a pesagem do animal sendo feita na propriedade, e por aproveitamento de carcaça "fria" (resfriada, sobre a qual incide a taxa de 2%). Sobre o fato de somente o RS adotar a dedução, diz que é também "o único Estado que compra a peso vivo e por quilo" – no país, é por arroba:

– O modelo de compra está traduzido em seu preço.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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