CAMPO E LAVOURA | A potência do agro sozinha não tira economia do atoleiro

A divulgação dos dados do PIB brasileiro nos três primeiros meses deste ano confirma o grande estrago da pandemia em diferentes setores. E, ao mesmo tempo, dá à agropecuária a condição de exceção à regra. Foi o único a crescer: 0,6% na comparação com o trimestre anterior e 1,9% sobre 2019. E o período de maior impacto do segmento na economia é o segundo trimestre.

Segundo o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Renato Conchon, espera-se também um bom resultado. A colheita de milho em algumas regiões atrasou, e a expectativa é de que parte do volume produzido se reflita no resultado do próximo trimestre.

– Momentaneamente, o setor se descolou da crise, mas não vai passar incólume e deve sofrer impactos da pandemia, pondera Conchon.

A pandemia levou a economia global à lona de tal forma que para reerguê-la é necessária a ação de mais de uma força. Ou seja: o agro continuará fazendo a sua parte, garantindo bons resultados no país, mas o nível de dificuldade é tamanho que, sozinho, não será suficiente para compensar todo o estrago.

– Por mais potente que seja esse trator, a economia brasileira está tão atolada que uma máquina só não puxa. O que o agro vai mostrar é resiliência neste momento de crise global – compara Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Ele também avalia que, no ano, o PIB da agropecuária terá boa performance e deve dar sua contribuição à economia brasileira. No recorte nacional, a produção foi positiva a ponto de se prever recorde – que poderá vir a ser ameaçado pelo resultado do Rio Grande do Sul.

O Estado tem situação bem diferente do país: a pandemia se somou à estiagem que já havia provocado perdas significativas. Com a ressalva de que os números gaúchos ainda não saíram, o economista da Farsul estima que o maior impacto no PIB do RS deva vir no segundo trimestre, podendo chegar a dois dígitos de queda. Projeção que tem como base os efeitos negativos da falta de chuva em anos anteriores em que a estiagem deixou sua marca entre os gaúchos.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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