CAMPO E LAVOURA –  A ainda difícil arte de renegociar

Apesar da medida que permitiu a renegociação de dívidas de produtores do Rio Grande do Sul atingidos pela estiagem ter saído há quase um mês, na prática ainda há dificuldade de acesso. E também situações não contempladas pela resolução do Banco Central.

É comum existir um lapso de tempo até que os bancos se organizem internamente. É preciso informar as novas condições e preparar o sistema para poder fazer essas operações até então não previstas, como já abordado pela coluna.

É verdade que o próprio Manual do Crédito Rural permite negociar financiamentos em situações de intempéries, independentemente da resolução. O problema é que as condições (prazos e juro) não são as mesmas da repactuação.

A orientação é para que os agricultores manifestem seu interesse, mesmo que o banco afirme ainda não ter os subsídios necessários. Pode fazer por correspondência registrada, evitando assim aglomerações nas agências.

Outro ponto importante está pendente. É a data de homologação do decreto de emergência pelo Estado, pré-requisito para poder buscar a ajuda. No documento original, consta que tem de ser entre 1º de janeiro e 9 de abril. Com o argumento de que deixaria muita gente de fora, a Secretaria da Agricultura solicitou ao Ministério da Agricultura ampliação para o período de 20 de dezembro de 2019 a 31 de maio de 2020. Mas o retorno ainda está pendente.

E os financiamentos feitos pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para a compra de máquinas nem estão nas possíveis renegociações. As linhas desse programa foram criadas pelo BNDES e não se restringem ao setor agropecuário. Uma eventual alteração nas condições exigiria aprovação de um projeto de lei.

O tempo está passando e o produtor teme não conseguir ficar com as contas em dia. Um problema que só amplia os efeitos da estiagem enfrentada pelos gaúchos neste ciclo.

no radar

Será realizada hoje reunião da comissão executiva da Expointer. O encontro, virtual, colocará em debate, como antecipou a coluna, possíveis cenários para a feira, de acordo com a evolução da covid-19 no Rio Grande do Sul. A Secretaria da Agricultura não trabalha com a hipótese de cancelamento da exposição que ocorre em Esteio. Eventualmente, poderá haver nova data.

Pedido de interdição em Lajeado

A decisão da Justiça sobre pedido de interdição feito pelo Ministério Público para dois frigoríficos de Lajeado só será tomada depois do recebimento de esclarecimentos solicitados.

O MP solicitou fechamento total, por 15 dias, das plantas da BRF Foods e da Companhia Minuano de Alimentos na cidade. A promotoria afirma que as unidades viraram focos de contágio por coronavírus.

A Vigilância Sanitária de Lajeado e a Coordenadoria de Saúde do Estado têm 24 horas para dar informações da situação dos frigoríficos. E a Secretaria Municipal de Saúde, o Hospital Bruno Born e a Univates, dados da lotação do sistema de saúde.

No pedido, o MP afirmou que a capacidade de atendimento estava prestes a entrar em colapso. A interdição agora, quando o pico de casos teria passado, causou surpresa ao prefeito, Marcelo Caumo.

Produção de queijo vista de perto

Foi da busca de aproximação dos filhos com a produção de alimentos que nasceu a semente de um projeto voltado à elaboração de queijo da Fazenda Três Montes, em Triunfo, na Região Carbonífera. A ideia dos proprietários é, além do investimento para ampliação do espaço de preparação, trabalhar com o conceito de open farm. Ou seja, de visita ao local em que o alimento é produzido, a exemplo do que fazem as vinícolas.

– Queremos trazer as pessoas para terem ideia do que é um ciclo de queijo – explica a arquiteta Cristiana Schmitz, proprietária da fazenda, ao lado do marido, o médico André Monte.

Marca do RS

A expansão do local de produção dos queijos da Fazenda Três Montes terá investimento de R$ 200 mil e deve ser concluída no segundo semestre. A previsão inicial era no primeiro semestre, mas, em razão das restrições trazidas pela covid-19, ficou para a segunda metade do ano.

Natural de Porto Alegre, o casal adquiriu a propriedade em 2017. O intuito, conta Cristiana, era ter um espaço onde os filhos se conectassem ao universo da produção, para entender que “o tomate não nasce no supermercado”.

Com plantel de 20 vacas jersey e uma holandesa, Cristina e André decidiram investir e fazer queijos. E buscaram capacitação. A mais recente foi no início de 2020, na França.

– Buscamos aperfeiçoamento lá, mas é um queijo brasileiro, gaúcho e único – afirma.

Para a gestão decolar

Com a meta já traçada para fazer de 2020 o ano da gestão, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) encontrou no ambiente atual um estímulo para dar início ao plano de voo. As atividades de consultoria foram antecipadas para abril, com lições virtuais para problemas do cotidiano das 177 associadas, a maior parte no Rio Grande do Sul.

Um time de 30 consultores foi escalado por meio de edital. O trabalho é voluntário. Serão seis meses de acompanhamento, com um encontro mensal para cada empresa. No primeiro, a tarefa foi fazer um diagnóstico.

– A proposta é ajudar a pensar como gestor, a ter planejamento estratégico. Até porque boa parte das empresas é de origem familiar – observa Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag.

Com a atividade diretamente impactada pelas oscilações cambiais, o dirigente já pediu que fosse antecipado o tema da gestão de custos, “já de olho na próxima safra“. Em 2019, houve alta de 3,9% no número de equipamentos utilizados para pulverização aérea.

No Rio Grande do Sul, porém, a estiagem reduziu em 30% o uso, que ainda está concentrado em lavouras de arroz.

Para este ano, o foco é centrar forças na abertura de novos mercados, o que representa ganhar terreno em outros produtos como soja, milho e na adubação de pastagens.

Além do atendimento individual, por meio de mentoria, a entidade tem realizado, uma vez por semana, às quartas-feiras, uma mesa redonda virtual abordando o mercado das culturas atendidas pelo setor.

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *