CAMPO E LAVOURA

Estado prepara estrutura em caso de avanço dos gafanhotos

A recente movimentação da nuvem de gafanhotos na Argentina mantém o Rio Grande do Sul alerta em relação à possível entrada no território gaúcho. Com a aproximação dos insetos nos últimos dias, uma estrutura composta por cerca de cem profissionais de órgãos estaduais e federais e 70 aviões agrícolas foi montada para agir em caso de necessidade. Ainda assim, no momento, a Secretaria Estadual da Agricultura vê como remota a possibilidade de ingresso no Estado.

O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Alimentar da Argentina (Senasa) indica que a nuvem se localiza na província de Entre Ríos, a cerca de 20 quilômetros do Uruguai. Com isso, os insetos estariam a cem quilômetros de Barra do Quaraí, na fronteira gaúcha.

A estimativa do secretário da Agricultura, Covatti Filho, é de que, caso o plano de contingência seja acionado, o custo poderá chegar a R$ 600 mil para 21 dias. O Estado já tem em mãos a relação de agrotóxicos a serem aplicados no combate aos gafanhotos e mapeou seus fornecedores, mas a compra só será efetuada se os insetos chegarem mais perto.

– Estamos fazendo o monitoramento, mas só podemos efetuar qualquer aplicação em caso de entrada no território brasileiro – frisa.

A estimativa é de que a nuvem tenha tamanho entre 20 e 30 quilômetros quadrados, totalizando mais de 500 milhões de insetos. Com o avanço de uma frente fria a partir de hoje, é provável que eles diminuam a movimentação. Ainda assim, o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle, salienta que o setor poderá colocar até 400 aviões à disposição do Estado.

O dirigente avalia que os argentinos vêm sendo bem-sucedidos no combate à praga. E também entende que algumas lições podem ser retiradas pelos brasileiros.

– O grande aprendizado que podemos tirar é melhorar o monitoramento. Os argentinos estão com bastante dificuldade neste aspecto, pois a nuvem chegou a parar em uma área de difícil acesso – argumenta Colle.

Se entrarem no Estado, os insetos podem causar prejuízo de até R$ 1 milhão por dia, em perdas nas lavouras de inverno e pastagens.

Mudança na imagem

O procurador-geral do Trabalho, Alberto Balazeiro, participou de reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, ontem, para discutir a situação da indústria de alimentos em meio à pandemia. Balazeiro salientou a disposição do Ministério Público do Trabalho (MPT) em dialogar com os frigoríficos.

– É possível construirmos juntos protocolos e saídas para a crise – apontou, argumentando que ações realizadas na indústria gaúcha precisam chegar até a China.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, enfatiza que, nos últimos dias, indústria e MPT vêm aparando arestas na relação, no intuito de reverter a imagem negativa junto aos chineses. Após registro de casos de covid-19 em plantas, o país asiático suspendeu as compras de quatro unidades do Estado.

no radar

A instalação das estações meteorológicas que vão monitorar a deriva do 2,4D começou ontem no Estado. As duas primeiras estão localizadas em olivais dos municípios de Pinheiro Machado e Piratini.

A reforma em discussão

Tributação de insumos agrícolas e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens e Direitos (ITCD). Nestes dois itens estão os principais pontos de divergência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) em relação à proposta de reforma tributária divulgada pelo governador Eduardo Leite. Ontem, dirigentes da entidade expuseram em reunião com integrantes do governo as impressões iniciais sobre o texto.

O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, enfatiza que o agronegócio vê a reforma como necessária. No entanto, a avaliação é de que o texto inicial é "injusto" com o setor, trazendo aumento nos custos de produção. Um dos aspectos mais preocupantes, na visão de Luz, é a retirada de benefícios fiscais utilizados como compensação ao pagamento de impostos em fertilizantes (foto), sementes e produtos químicos. Na prática isso acabaria taxando a produção, segundo o economista.

– Não existe imposto sobre produção em lugar nenhum do mundo – dispara Luz.

Em relação ao ITCD, o setor avalia que o aumento das alíquotas desestimula a formalização dos bens. O patamar máximo, hoje em 6%, passaria a 8%. Luz aponta que, atualmente, dois terços dos inventários estão abertos no Estado. Neste sentido, a Farsul defende tratamento diferenciado para propriedades rurais em relação a bens como casas e carros. Além disso, o segmento sugere o parcelamento dos valores envolvendo as transferências, como maneira de estimular a legalização.

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte: Zero Hora

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