CAMPO E LAVOURA

3,3 milhões

de toneladas de soja produzidas no Brasil em 2019 receberam certificação da Associação Internacional de Soja Responsável. A entidade avaliza a produção ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.

Acesso à renegociação ainda tranca em regra

A colheita está praticamente encerrada no Rio Grande do Sul, mas produtores seguem apreensivos em relação às medidas de socorro que buscam minimizar o prejuízo trazido pela estiagem (leia mais ao lado). Uma delas, a renegociação de financiamentos de custeio e de investimento, segue com exigência que exclui boa parte dos municípios gaúchos que tiveram a produção impactada.

Pela resolução do Banco Central, podem solicitar a medida produtores de cidades que tiveram a situação de emergência homologada pelo Estado de 1º de janeiro a 9 de abril, dia em que o documento foi publicado. Ainda no mês passado, a Secretaria Estadual de Agricultura solicitou ao Ministério da Agricultura a ampliação dessa janela, para 20 de dezembro de 2019 a 31 de maio. O quadro de escassez de chuva se iniciou no ano passado e prosseguiu – a chuva recém retornou ao Estado. Até agora, no entanto, a alteração não foi feita.

– Depois de 9 de abril, tivemos 40 dias em que não choveu. Nesse período, muitos municípios conseguiram comprovar o impacto – salienta Verno Müller, superintendente administrativo e financeiro da Famurs, que participou de reunião de grupo de trabalho da estiagem.

Sem essa alteração, o esforço da Defesa Civil em dar celeridade aos processos poderá ter sido em vão.

no radar

Projeto de lei para criação de um fundo de combate à estiagem acaba de ser protocolado na Assembleia Legislativa do Estado. A proposta é dos deputados Tenente-coronel Zucco e Vilmar Lourenço (PSL). A ideia é garantir recursos para socorrer produtores em anos de chuva escassa. Para compor o fundo, sugerem, entre outras medidas, destinação de fatia de 30% do acordo pelo ressarcimento da Lei Kandir.

Provas do cavalo crioulo retomadas

Adiadas por conta das restrições da pandemia, as competições organizadas pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (abccc) começarão a ser retomadas. A entidade obteve aval do governo do Estado na última semana. Antes disso, havia recebido liberação de Esteio para retomar etapas que ocorrem no parque Assis Brasil.

No primeiro momento, serão priorizadas as provas de seleção: Freio de Ouro, Morfologia e Marcha de Resistência.

Uma das seletivas do Freio de Ouro, o Bocal de Ouro, tem nova data marcada para ocorrer: de 18 a 21 de junho, em Esteio.

Deverão ser seguidas as determinações das autoridades sanitárias municipais e estaduais. O protocolo restringe a participação a trabalhadores e proprietários diretamente envolvidos, por exemplo, sem público ou familiares presentes.

lenda da embrapa, o primeiro clone bovino da embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia a chegar na fase adulta morreu na semana passada. tinha quase 17 anos, idade considerada avançada para a espécie. a fêmea da raça holandesa nasceu em 4 de setembro de 2003. e Foi produzida a partir das células retiradas de um animal morto.

Impactos diferentes

Análise regional das perdas provocadas pela estiagem nas lavouras de soja do Estado mostra que, embora o maior percentual de redução esteja no Norte, a menor produtividade colhida será na Metade Sul. A região consolidou-se nos últimos anos como nova fronteira agrícola do grão no Rio Grande do Sul.

Dados da Emater, que divide o território gaúcho conforme suas 12 regionais, revelam que a área de Soledade (veja acima), no Norte, terá a maior queda média em produtividade em relação à estimativa do início do ciclo. Os 1.235 quilos por hectare são 63% a menos do rendimento projetado no plantio, de 3.361 quilos por hectare.

Frederico Westphalen, também no norte do Estado, terá a menor diminuição: 27%, encerrando o ciclo com 2.573 quilos por hectare, também a melhor produtividade média da safra.

Partindo de uma base de comparação menor, Bagé vai fechar a colheita com 1.205 quilos por hectare, a menor média.

Diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri lembra que, historicamente, o registro de chuva na parte sul é menor do que no parte norte. E esse é um dos gargalos para a cultura.

– O solo também tem outras características, é mais vulnerável. Mas não é impeditivo para a produção – assegura.

Na prática, isso significa que é preciso um manejo diferenciado e tecnologias específicas para atender às particularidades da região, com uma necessidade maior de ferramentas para reservar água. E onde a irrigação tem um papel ainda mais relevante. Porque essa desigualdade de sacas tem impacto sobre rentabilidade.

GISELE LOEBLEIN
Fonte: Zero Hora

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