CAMPO E LAVOURA

Área de soja em novo patamar no próximo ciclo

Diante da valorização dos produtos agrícolas e na sequência de uma colheita fortemente impactada pela estiagem, o aumento de área na safra de grãos de verão no Estado parecia inevitável. E ficou evidente na estimativa inicial de safra apresentada pela Emater. As principais culturas da estação têm perspectiva de crescimento de espaço.

O percentual da soja, principal produto da pauta gaúcha, não é o maior (alta de 1,55% sobre o ciclo passado), mas ganha destaque em razão da marca que supera. Pela primeira vez, o Rio Grande do Sul terá área do grão superior a 6 milhões de hectares. É uma extensão quase sete vezes maior do que em 1970, início da série histórica da Emater, com base de dados do IBGE.

Essa expansão ao longo desses 50 anos ocorreu em diferentes frentes, com a substituição de cultivo de outros itens pelo grão dourado. Reflexo do apetite crescente do mercado.

Na última década, outro fator teve peso importante: a migração na direção da Metade Sul. Nas últimas seis safras, por exemplo (veja gráfico), a regional de Bagé da Emater, com 20 municípios da Campanha e da Fronteira Oeste, cresceu 45%. E, deve chegar a inéditos 835,75 mil hectares.

O grande desafio nessa nova fronteira segue sendo ampliar o rendimento por hectare, menor do que na Metade Norte.

– A produtividade tem de ser um dos objetivos. Só expandir área não se sustenta – pondera Alencar Rugeri, diretor-técnico da Emater.

Para chegar ao resultado desejado é preciso, recomenda Rugeri, ainda mais atenção aos princípios básicos da agronomia e monitoramento constante das condições climáticas, para fins de planejamento, já que a Região Sul tem regime de chuva diferente da do Norte. A irrigação aparece como recurso de grande importância para anos de escassez e/ou irregularidade de chuva, como foi o do último ciclo.

Rugeri diz que o crescimento da soja certamente terá um teto – por ora, não alcançado:

– Há potencial ainda a ser expandido, mas cada vez mais (a soja) vai para áreas não preferenciais da cultura.

A projeção feita pelo órgão é bastante representativa. Na estimativa de área é feito levantamento a campo. Na soja, por exemplo, abrange municípios que somam 99,74% do total cultivado. Importante lembrar, ainda que produção e produtividade são calculados em cima da média de 10 anos. E que os expressivos aumentos para produção evidenciam os estragos da estiagem.

Expansão na Metade Sul

Entre as cinco maiores áreas de soja na regional de Bagé (veja acima) está a de Dom Pedrito, na Campanha, com 120 mil hectares. Reduto arrozeiro e de gado, o município deu espaço ao grão – há 10 anos, eram só 26 mil hectares.

Com limitações para a produção do arroz, que é 100% irrigado e necessitava de mais estruturas de reservação de água, e sequência de anos de desvalorização do cereal, o produtor viu na substituição pela soja uma oportunidade. Também passou a fazer integração em áreas de pastagens. E começou a colher benefícios agronômicos, com a rotação de culturas, e econômicos, diante da liquidez do grão. É o que pontua José Roberto Pires Weber, presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito, que acrescenta:

– Com a soja, vieram núcleos industriais importantes. Isso trouxe um desenvolvimento.

Início da jornada

Foi dada a largada naquele que será o maior embarque de bovinos vivos feito via porto de Rio Grande. Com destino à Turquia e ao Líbano, a carga deve somar 25 mil animais – o número exato só é conhecido ao término da entrada dos animais.

Uma equipe de auditores fiscais federais agropecuários do Ministério da Agricultura acompanha todo o processo. Deverão ser mais de 60 horas até que todo o gado possa ser embarcado, para que o navio possa zarpar do terminal gaúcho.

– Nosso principal foco é o bem-estar dos animais que estão sendo exportados – observa a auditora fiscal federal agropecuária Mariza Costa Moreira dos Santos, que lidera a etapa física do embarque.

Essa será a segunda operação de grande porte para envio de bovinos vivos – em março, foram 20 mil animais.

US$ 1,49 bilhão foi a receita acumulada com as exportações de carne suína de janeiro a agosto deste ano, aponta a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O valor representa alta de 54,5% sobre igual período de 2019. Em volume, o crescimento é de 44,37%, com 678,3 mil toneladas. Em agosto, os percentuais ficam ainda maiores: houve ampliação de 89,2% na quantidade e de 90,7% no faturamento. A China segue como principal destino.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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