CAMPO E LAVOURA

Brasil pede explicações sobre medidas contra o frango

Ao mesmo tempo em que o Ministério da Agricultura buscava explicações das Filipinas sobre o embargo ao frango brasileiro – com a embaixadora do país no Brasil sendo chamada a dar explicações -, nova barreira era erguida. O Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong (CFS, na sigla em inglês) comunicou a desabilitação do frigorífico de onde saiu o produto em que supostamente autoridades de Shenzhen, na China, teriam detectado coronavírus. O caso foi noticiado na última quinta-feira. Até ontem, o ministério seguia sem informações por parte da autoridade sanitária chinesa sobre o caso.

A nota no site do CFS informa a suspensão da licença de importação da unidade que, segundo número de SIF indicado, seria a da Aurora localizada em Xaxim (SC). O órgão acrescenta que fez contato imediato com as autoridades de Shenzhen, cidade da China continental que faz divisa com Hong Kong, para fazer um acompanhamento do caso.

Investigações preliminares apontaram que a carga em questão não estava à venda em Hong Kong. Por precaução, foram ampliadas as testagens de amostras de carne de frango congelada com procedência do Brasil.

Ainda que frise na nota a inexistência de evidência científica de contaminação por meio de alimentos, o centro lembra que carne crua ou mal passada com a presença de vírus ou bactérias pode causar intoxicação alimentar. Por fim, informa que dará seguimento às apurações e informará autoridades do Brasil e a empresa. Até ontem, isso não havia ocorrido.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que está apoiando a sua associada para a apresentação dos esclarecimentos, com bases técnico-científicas, assim como o Ministério da Agricultura, "para que a situação se clarifique e se restabeleça", reforçando que também não houve comunicação oficial.

Com relação ao veto filipino, a Agricultura disse em nota que a decisão "foi desproporcional" e que poderá apresentar uma Preocupação Comercial Específica na próxima reunião do Comitê da Organização Mundial do Comércio sobre Acordo Sanitário e Fitossanitário.

Guia de movimentação em dia

Pendências na emissão de guias de trânsito animal (GTA), documento necessário para a movimentação, passarão a ter tratamento mais rigoroso no Estado, conforme recomendação do Ministério da Agricultura. Até agora, a Secretaria da Agricultura orientava a regularização.

Com sistema informatizado da secretaria, será gerada ocorrência automaticamente quando vencer o prazo. Essa ocorrência prevê o bloqueio da movimentação. Em um primeiro momento, o produtor receberá advertência. Se reincidir, a propriedade será autuada.

A GTA é necessária na saída e no destino – 30 dias, a contar do recebimento dos animais.

Presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, Rogério Kerber destaca que esse é um dos compromissos do produtor no avanço de status sanitário.

no radar

Subiu o custo de produção do suíno. Dado da Embrapa mostra alta de 10,93% em julho ante junho. No ano, cresceu 21,31% e, nos últimos 12 meses, 28,92%. Uma das razões é o aumento de insumos como milho e soja.

Alimento à solidariedade

Uma ação que faz bem a quem produz e a quem consome. Essa é a ideia do projeto Cesta Consciente, executado em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. A primeira fase da iniciativa conjunta de Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin) e Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) será concluída amanhã.

Famílias de três cooperativas de catadores e recicladores receberam kits com alimentos e produtos de higiene por um período de três meses. Os itens são adquiridos de associados da Cooperativa Regional de Agricultores Familiares (Ecovale) e empreendimentos de economia solidária, a partir de doações.

– É uma ação de duplo impacto. Para quem está produzindo é tão importante quanto para quem recebe. Neste ano, teve todo impacto da estiagem, depois veio mais a pandemia – observa Melissa Lenz, coordenadora do Capa de Santa Cruz.

A redução das vendas de produtos da agricultura agroecológica durante a pandemia é estimada em até 70% – muitos dos canais, como feiras de venda direta, acabaram inviabilizados.

– É bem gratificante auxiliar outras fami´lias em situac¸a~o de vulnerabilidade social e saber que, em um momento cri´tico, va~o se alimentar com produtos sauda´veis. E colabora para a nossa renda. Ao mesmo tempo, ajudamos e somos ajudados – reforça Lori Weber ao lado do marido, Clécio (foto acima), produtores em Venâncio Aires e associados da Ecovale.

A meta da campanha é atingir 1,5 mil famílias na área de Santa Cruz. Para isso, vai em busca de R$ 450 mil em doações (combatecovid.org/cestaconsciente). Na região sul do país, a iniciativa auxiliou, desde março, 2,3 mil famílias.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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