CAMPO ABERTO – UM ITAMARATY DO AGRONEGÓCIO

Depois do jantar com integrantes de países árabes, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebeu ontem representantes chineses em sua sede, em Brasília, para seminário sobre agricultura e biotecnologia na relação Brasil-China.

O evento foi técnico e se propôs a esclarecer aspectos relacionados ao tema, mas ganhou componente político de peso. O chanceler Ernesto Araújo foi um dos palestrantes. E aproveitou o espaço para tentar desfazer qualquer ruído que possa ter restado das declarações dadas por ele no mês passado, em aula do Instituto Rio Branco. Na ocasião, disse que o Brasil tinha interesse em negociar soja e minério de ferro à China, mas que não venderia a alma para isso.

Ontem, tratou de reforçar a importância do país asiático, dizendo que se tornou um gigante porque "pensou grande" e que os brasileiros têm muito a aprender com isso:

– Brasil e China são chamados a serem parceiros essenciais nessa dimensão da agricultura. Temos potencialmente o maior exportador e o maior importador agrícola do mundo. Isso, por si só, cria vínculo real.

Presidente da CNA, João Martins ressaltou que, em 2018, as exportações para os chineses foram 35% das vendas totais do agronegócio. Citou ainda investimentos em solo brasileiro:

– Por todos os motivos, a China precisa estar no topo das prioridades da nossa diplomacia e da nossa política comercial.

O pragmatismo nas relações comerciais tem sido um mantra da entidade. E é por isso que ela vem atuando como um algodão entre cristais nas recentes saias justas causadas com importantes clientes da produção agropecuária brasileira. Caso dos árabes, desconfortáveis com a aproximação do governo federal com Israel, e dos chineses, alvo de questionamentos do chanceler.

O jantar e o seminário já estavam agendados, antes do mal-estar gerado, mas serviram como contrapontos importantes na permanente tarefa de manter boa relação com parceiros comerciais.

GOSTINHO DA SAFRA

Com a cultura buscando seu espaço em meio à produção nacional, o Rio Grande do Sul se consolida como um dos polos de desenvolvimento das oliveiras. E os frutos dessa aposta poderão ser conferidos amanhã na Feira do Azeite Novo, na Capital. Azeites extra virgem da safra 2019 e as novas marcas do Rio Grande do Sul estarão em exposição.

Além de tirar uma provinha, consumidores poderão adquirir os rótulos – são 20 marcas diferentes.

– A grande vantagem para o consumidor é que terá acesso a azeite fresco, recém processado – pontua Paulo Lipp, coordenador das Câmaras Setoriais da Secretaria da Agricultura.

Neste ano, o Estado deverá produzir entre 160 mil e 180 mil toneladas de azeite. Além da quantidade, bem superior à da safra passada, quando foram processados 58 mil litros, a qualidade também é considerada superior.

Ao longo da semana, ainda eram realizadas colheitas de azeitonas. Atualmente, o cultivo ocupa área estimada de 4,5 mil hectares, com Campanha e Serra do Sudeste entre os polos mais expressivos.

A feira do azeite será na Secretaria da Agricultura, na Avenida Getúlio Vargas, 1.384, Menino Deus, Porto Alegre, das 10h às 14h. Também no sábado, o Instituo Brasileiro de Olivicultura elege nova diretoria.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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