CAMPO ABERTO – Um futuro sem vacina contra aftosa

O debate sobre a retirada da vacina contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul chega hoje ao Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, em meio à programação da 42ª Expoleite e 15ª Fenasul. Evento organizado pela Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) se propõe a avaliar o futuro da pecuária gaúcha em um cenário de fim da imunização. Técnicos serão ouvidos e a ideia é que a própria entidade possa ter definição sobre o tema.

– Queremos agora ouvir o debate. E a partir daí, tirar uma posição – explica Leonardo Lamachia, presidente da Febrac.

De um lado, estarão argumentos sobre o que o RS pode ganhar com a retirada.

– É muito mais do que progredir de status sanitário. É retirar um obstáculo ao empreendedorismo – avalia Bernardo Todeschini, superintendente do Ministério da Agricultura no RS e um dos palestrantes.

Segundo ele, hoje, dos 12 maiores importadores de carne bovina do mundo, boa parte é livre da doença sem vacinação, o que pode fazer com tenham determinadas condições de ingresso em seus territórios:

– E disso resulta uma limitação de acesso absoluto e de acesso qualitativo.

Mais cauteloso, Luiz Alberto Pitta Pinheiro, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), pondera que a auditoria do ministério – a solicitação formal já foi feita pela Secretaria da Agricultura para a segunda quinzena de julho – é fundamental para a definição de rumos em relação ao tema no Estado.

– É preciso ter a auditoria, a sustentação financeira de que o Estado vai dar total apoio às medidas futuras necessárias e a decisão política para a retirada. Não é questão de quando, é questão de como – afirma Pitta Pinheiro.

O debate sobre o tema vai ganhar em breve, também, espaço na Assembleia Legislativa. Foi aprovado ontem pedido do deputado Rodrigo Lorenzoni (DEM) para audiência pública, em data ainda a ser definida.

NO RADAR

Em meio à programação da 32ª Fenovinos, em Pelotas, sul do Estado, será lançada amanhã a Frente Parlamentar pelo Fortalecimento da Ovinocultura. A iniciativa, do deputado Luiz Henrique Viana (PSDB), é propor alternativas a gargalos. Ele cita como exemplos a dificuldade no fomento da produção e a falta de segurança.

FESTA DO LEITE

O tradicional banho de leite da 42ª Expoleite e 15ª Fenasul, em Esteio, celebrou a vitória da Granja Ferraboli, de Anta Gorda, e da Cabanha Santa Clara, de Humaitá. Na categoria jovem, a vaca Festileite P. Ferraboli 309 Vanguard Atwoo, três anos, conquistou a primeira posição com produção de 58,6 quilos em 24 horas. Proprietário do animal, Paulo Ferraboli lista três fatores principais para o sucesso no concurso: boa alimentação, conforto e genética. A vaca é filha de vencedora de concursos leiteiros.

– Todas ficam no galpão, onde têm sala para alimentação. Dormem em um colchão confortável. No calor, recebem exaustor e ventiladores. O importante é que se sintam bem – explica Ferraboli.

Na categoria adulta, a vaca Ag Rincão Buena 543 Gilette, cinco anos, levou o primeiro lugar: foram produzidos 71,5 quilos. Segundo a proprietária Clara Bickel Padilha, a vaca teve preparação especial. Um nutricionista e um técnico acompanharam de perto a alimentação, baseada em silagem, feno e ração.

– A gente cuida para que ela se sinta confortável, em um local bom para dormir, esteja sempre limpa.

José Luiz Rigon, superintendente técnico da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS, explica que o banho de leite é uma brincadeira entre os proprietários dos animais vencedores. Um pouco de leite é misturado com água e cal (para dar cor) e jogado sobre os criadores, para selar a vitória.

Pista de esteio puxando as médias

Com a 16º Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas ainda em andamento, no final da tarde de ontem, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) comemorava as médias. O quilo vivo chegou a R$ 6,67 nos terneiros e R$ 6 nas terneiras.

Foram 617 animais em pista no leilão conduzido pela Santa Úrsula Remates.

– Esses preços refletem o momento de transição da crise. Está começando a surgir um novo horizonte para a pecuária – avalia Francisco Schardong, presidente da Comissão de Feiras e Exposições da Farsul.

O aumento na procura por gado de reposição no Estado, acrescenta o dirigente, tem relação com a China. O país tem buscado proteína animal brasileira para dar conta da demanda do mercado interno, impactado por um surto de peste suína africana.

Ovelhas de fraldas em SC

A cena chama a atenção pelo inusitado das ovelhas usando fraldas. Mas a imagem reproduz estudo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O objetivo é apontar a altura ideal do pasto para a melhor conversão alimentar.

Cassiano Eduardo Pinto, doutor em produção animal pela UFRGS, é um dos responsáveis pela pesquisa e conta que os testes começaram em dezembro, com seis ovelhas. O uso da fralda serve para "preservar" o pasto ingerido:

– Se o animal urinar e defecar, vamos perder esse peso.

No estudo, o foco é no pasto missioneira gigante (Axonopus catarinensis valls ), de grande uso em Santa Catarina.

96,4% é o percentual já colhido da área de arroz cultivada no Estado. Segundo o Irga, para a conclusão dos trabalhos faltam apenas 35,82 mil hectares.

Por mais espaço na China

Na missão pela Ásia, o governo brasileiro avança na negociação para habilitar 78 novos frigoríficos de carnes bovina, suína e de aves para exportação à China. Em reunião ontem, em Pequim, a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, acertou o envio de informações para o país asiático em uma semana. Esse é o período para os técnicos terminarem as revisões dos formulários, que já estão no ministério.

– Estamos preparados para ampliar a nossa oferta de proteína animal com qualidade ao mercado chinês, sem deixar de cumprir os requisitos sanitários previstos no nosso protocolo bilateral – afirmou a ministra.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora