CAMPO ABERTO – TAMANHO DA SAFRA DE INVERNO É INCERTO

A grande variação do potencial produtivo do trigo no Rio Grande do Sul faz poucos se arriscarem a projetar o tamanho da safra de inverno neste ano. Mesmo com a recuperação das plantas após prolongado período sem chuva no Estado, logo depois do plantio, a avaliação ainda é de incerteza.

– Comparado ao que imaginávamos que pudesse acontecer, a safra está indo bem. Mas o desenvolvimento não é uniforme, tem lavouras com bom potencial e outras menos – diz Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

A preocupação maior está nas regiões onde a cultura foi implantada mais cedo, como nas Missões (na foto maior, plantio em São Luiz Gonzaga). Segundo a Emater, produtores com a cultura financiada na região já estão procurando as instituições para comunicação de perdas pontuais ocasionadas por geadas e alto índice de doenças.

– Nas lavouras onde o potencial produtivo é muito baixo, os produtores nem irão colher, irão optar por não atrasar o plantio da soja – relata Jardim.

O mês decisivo será agora em setembro. Para o bom desenvolvimento nesse período, a cultura precisa do retorno da chuva. O tempo seco e temperaturas amenas das últimas semanas favoreceram o surgimento de doenças foliares e o ataque de pulgões (na foto em detalhe, lavoura em Passo Fundo). Segundo o pesquisador Douglas Lau, da Embrapa Trigo, o inseto se desenvolve e se multiplica melhor em temperaturas amenas (entre 18°C a 25°C) e em períodos de pouca chuva. Outra consequência da falta de umidade nesse estágio é o surgimento do oídio, doença causada por um fungo. O produtor deve ficar atento à plantação nesse momento, fazendo o controle por meio de aplicação de defensivos, alerta Paulo Kuhnem, fitopatologista da Biotrigo Genética.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora

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