CAMPO ABERTO – Suspensão do 2,4-D tem efeito restrito

Na prática, a decisão anunciada ontem pela Secretaria da Agricultura, de suspender temporariamente a aplicação do 2,4-D no Rio Grande do Sul, terá efeito restrito. Primeiro, porque está condicionada à manutenção da greve dos servidores estaduais, que pode acabar a qualquer momento. Segundo, porque restam poucas áreas ainda com necessidade de uso do herbicida. O plantio da soja somava 72% do total previsto na última semana. Como é preciso intervalo de no mínimo 10 dias entre a pulverização e a semeadura, a estimativa é de que reste cerca de 10% de área com necessidade de uso.

Do ponto de vista estatístico, não deve reverter o panorama. De 143 amostras 92,3%, ou seja, 132 tiveram laudo positivo para a presença do produto em 41 municípios. Porque o grosso do herbicida 2,4-D já foi aplicado.

– Não tivesse a greve, não teria necessidade de suspensão. Estamos seguindo o teor da recomendação do MP – afirmou o secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho.

Para produtores de culturas afetadas pelo problema, basear a decisão na greve é equivocada. O fator preponderante não deveria ter sido esse e, sim, o elevado número de casos, opina Valter Pötter, da Estância Guatambu, e integrante da Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha.

Responsável por inquérito civil, o promotor Alexandre Saltz diz que a suspensão durante a greve era a solução possível, no momento, mesmo que tenha alcance limitado:

– Temos de trabalhar bem esses números para fazer fechamento do resultado das instruções normativas, não apenas do ponto de vista das confirmações. Antes, as coisas aconteciam e o Estado não estava preparado para atender.

Regras foram criadas após a confirmação de casos no ano passado e valiam para os 24 municípios com laudos positivos. Desses, 16 voltaram a ter registro.

As ferramentas adotadas até agora não devem ser dispensadas. É importante treinar, preparar e, sobretudo, fiscalizar. Mas diante do quadro apresentado, é preciso reavaliar a forma de atacar o problema, uma vez que a deriva segue acontecendo.

Foram escolhidas as 15 startups que participarão, de 13 a 15 deste mês, do hackathon agro. O anúncio foi feito ontem, por representantes da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do RS (Senar-RS), à frente da maratona tecnológica. As startups buscarão soluções em quatro áreas: custos de produção, segurança, comercialização e doenças invasoras e pragas. Gedeão Pereira, presidente da Farsul, diz que o papel da iniciativa é descobrir startups do agronegócio e ajudá-las a se desenvolver.

1,2%

é o crescimento projetado para o PIB Agropecuário do Rio Grande do Sul, no cenário base, segundo projeção apresentada ontem pela Fiergs. No cenário nacional, o avanço é estimado em 1,8%.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora