CAMPO ABERTO – SOMBRA DO LA NIÑA SOBRE O ESTADO

Embora o quadro ainda seja de neutralidade, o resfriamento das águas do Oceano Pacífico que caracteriza o La Niña registrado desde agosto traz efeitos para o Rio Grande do Sul, apontam especialistas. Segundo Jossana Ceolin Cera, consultora em agrometeorologia do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), por enquanto, o reflexo tem sido a grande ocorrência de granizo e também dias mais frios do que o habitual para esta época do ano.

– Se o La Niña se configurar, vai ser mais tarde do que no ano passado. Mas não acredito em efeitos muito duradouros e intensos – completa a meteorologista.

Ao contrário do El Niño, que é o aquecimento das águas do Pacífico, o La Niña pode levar à ocorrência de períodos de estiagens no Sul.

– O quadro ainda não é caracterizado, de fato, como La Niña, mas com o resfriamento das águas do oceano, a atmosfera responde como se fosse. Tanto que alguns modelos mostram chuva pouco volumosa em janeiro no Rio Grande do Sul, mas não necessariamente estiagem – acrescenta Maria Clara Sassaki, meteorologista da Somar.

Os meses de janeiro e fevereiro costumam ser de menor volume de precipitações, mas, por conta das condições do oceano, esse cenário deve se intensificar. Do que tem aparecido até agora nas projeções, no entanto, nada que possa ser motivo de grande preocupação para os agricultores, em plena safra de verão.

– Talvez algum mês fique mais crítico, mas não acredito em sequência mais longa sem chuva – projeta Jossana.

Maria Clara explica que, em relação ao mês de fevereiro – decisivo para o desenvolvimento da soja, carro-chefe das lavouras no Estado-, o quadro ainda está um pouco incerto, "com os modelos oscilando bastante".

No boletim de novembro, a Agência Americana de Meteorologia e Oceanografia (NOAA) apontou, pela primeira vez, acoplamento entre oceano e atmosfera tropical, ou seja, a atmosfera começou a responder ao resfriamento, o que também vem sendo observado no Brasil. Pela projeção do órgão, um fraco La Niña deve prosseguir até perto do primeiro trimestre de 2018. Há cinco safras, São Pedro – com algumas exceções pontuais – vem colaborando com as colheitas de verão no Rio Grande do Sul.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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