CAMPO ABERTO – SOB MEDIDA PARA A INDÚSTRIA DE AVES BRASILEIRA

Tão logo surgiram as primeiras informações de que Jair Bolsonaro pretendia transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o setor de proteína animal entrou em alerta. A medida causa desconforto aos países árabes, principais compradores do frango do Brasil.

Começou, então, trabalho de convencimento do Planalto de que isso seria um tiro no pé. O Brasil é o maior exportador de aves. E entre os cinco principais consumidores tem dois países árabes, com a Arábia Saudita ocupando a primeira posição.

O sinal passou de amarelo para vermelho quando, alegando questões técnicas, os sauditas descredenciaram frigoríficos brasileiros para a exportação. O fato levantou suspeita de retaliação.

Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), avalia que os números apresentados e a atuação da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tiveram papel importante na mudança de avaliação do governo.

A decisão de abrir um escritório de negócios em Jerusalém, anunciada ontem por Bolsonaro, seria um meio-termo, na avaliação de Turra, que completa:

– A embaixada, para nós, seria preocupante. O setor e o governo terão um escritório em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Acho que compensa.

No primeiro bimestre deste ano, em meio à polêmica da possível transferência da embaixada, o volume de compra de frango brasileiro pela Arábia Saudita apresentou recuo (veja abaixo), sendo que, no mês de fevereiro, a China assumiu a posição de maior comprador do produto.

A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira também considerou essa uma "boa medida", que permitirá ao Brasil fortalecer suas relações comerciais. Em outras palavras, garante negócios sem entrar na delicada questão geopolítica da região.

Em solo brasileiro, Tereza Cristina articula jantar com embaixadores árabes, fazendo contraponto à visita do presidente Bolsonaro à Israel.

GRÃOS DOURADOS

O Rio Grande do Sul, que na atual safra voltará a ocupar a segunda posição entre os maiores produtores de soja no país, deu a largada oficial na colheita do grão. A 12ª edição da cerimônia, realizada no sábado no Complexo Tupanciretã, em Tupanciretã, contou com a presença de autoridades, incluindo o governador do Estado, Eduardo Leite. No discurso, ele reforçou a aposta nas parcerias público-privadas para melhorar as condições de escoamento da produção gaúcha:

– O Estado tem de ser Estado onde o privado não alcança, porque não se sustenta como negócio. É ali que a gente tem de colocar os recursos, para induzir o crescimento e estimular o desenvolvimento em todas as regiões.

Também presente no evento, realizado em área de 200 hectares de lavoura experimental, o secretário estadual de Agricultura, Covatti Filho, ressaltou a necessidade de "desburocratizar a agricultura".

O Estado deverá colher 18,55 milhões de toneladas, segundo maior volume da história. O percentual de área colhida chegou a 32% na última semana.

Presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja-RS), Luis Fernando Fucks diz que, de maneira geral, a "safra é muito boa".

No momento, uma das preocupações dos sojicultores é o Convênio 100, que isenta de ICMS insumos da produção agropecuária e está por vencer. Estudo da Aprosoja Brasil mostra que, se o tributo voltar a ser cobrado, causará aumento direto de 10% no custo da soja.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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