CAMPO ABERTO – Sinais amarelos que vêm da balança

O que foi muito bom poderia ter sido ainda melhor. Os resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro, apresentados ontem pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, confirmam a consistência do setor ao apontar o segundo maior superávit. Mas diante da safra recorde e com a soja como carro-chefe, respondendo por 33% dos US$ 96,01 bilhões embarcados pelo setor no ano passado ficou aquele gostinho de quero mais.

É que a desvalorização das commodities fez com que o desempenho ficasse limitado. Mais do que isso, encolheu a renda do agricultor, como ressaltou Blairo:

– Isso mostra claramente que os preços das commodities têm caído nos últimos anos, e o produtor tem se mantido pela produtividade. O agronegócio está bem, aumenta produção, produtividade, mas não a renda do produtor, e isso é um sinal amarelo para um país que tem nesse setor seu grande sustentáculo em momentos de crise.

A colheita e o rendimento estão sendo garantidos, mas a sustentabilidade da atividade, não. Isso pode representar um risco não apenas para o produtor, mas para todo o agronegócio, que, por sua vez, foi essencial para garantir o desempenho positivo da balança comercial brasileira – os demais setores apresentaram déficit de US$ 14,87 bilhões.

O ministro também aproveitou a ocasião para demonstrar preocupação com o projeto que tramita no no Congresso e prevê a revogação da Lei Kandir.

A possibilidade da retomada de taxação do produtos destinados à exportação – em especial do agronegócio – é um fantasma que assombra o setor primário.

Desde que passou a vigorar a lei, em 1997, o saldo da balança comercial do agronegócio cresceu 582%, passando de US$ 12,2 bilhões para US$ 81,86 bilhões.

– O Ministério da Agricultura fará um documento consistente para senadores para demonstrar a preocupação com esse assunto – garantiu.

A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) já manifestou, em mais de uma vez, preocupação com esse tema e usa o exemplo do período das retenciones argentinas para mostrar os piores efeitos que a taxação pode causar. Os sinais amarelos exigem atenção.

no radar

QUANDO a safra de notícias boas é rara, melhor aproveitar a oportunidade. A Secretaria dos Transportes e a Superintendência do Porto do Rio Grande marcaram evento hoje para detalhar os dados da movimentação recorde em 2017 no porto. Boa parte certamente foi ancorada nos embarques de soja em grão.

Para o fim do mês

Está prevista para 29 deste mês assinatura do termo de cooperação entre Secretaria da Agricultura e Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-RS) para aplicar a lei que permite a inspeção privada de indústrias de origem animal.

A secretaria aguarda ainda aguarda documentação do CRMV-RS. O texto do termo de cooperação já foi analisado pela entidade.

– Depois da assinatura, começaremos as ações, com curso de qualificação profissional – afirma Air Fagundes, presidente do CRMV-RS.

O ato ocorrerá após retorno do secretário Ernani Polo, que está de férias. A expectativa é de que a partir de março seja possível estar com o novo modelo de inspeção rodando.

Capital humano

A preocupação com a situação da Cotrijui, em Ijuí, no noroeste do Estado, vai além do patrimônio dos produtores. Funcionários da cooperativa, em liquidação voluntária desde 2014, têm relatado atraso no pagamento de salários, de 13º e de férias. Segundo o SindiComérciários de Ijuí, também estaria havendo parcelamento de rescisões contratuais, o que não é permitido. O presidente Ari José Bauer diz que a Justiça foi acionada para o cumprimento de determinação de 2013, de pagar em dia.

– Estamos aguardando esse retorno. Não descartamos mobilizações – acrescenta.

PELAS RÉDEAS

Natural de Alegrete, na Fronteira Oeste, o ginete Rafael Safons, 30 anos, saiu do 53° Festival Nacional de Doma y Folklore de Jesús María, em Córdoba, na Argentina, com um feito inédito.

Pela primeira vez um brasileiro levou o título. No caso dele, na categoria crinia limpia, que em bom português é categoria Em Pelo. O evento dos hermanos contou com 26 delegações. A disputa se estendeu ao longo de 11 noites, explica o vencedor.

– O competidor vai acumulando pontos. Tem muita semelhança com a gineteada, mas no Brasil são menos dias de provas – completa.

Ginete profissional, Safons trabalha e vive em Santa Catarina, onde atua como domador de cavalos, na cabanha Quinta dos Ganchos, em Governador Celso Ramos. Diz receber muito apoio dos proprietários.

Sobre a vitória, garante que foi inesperada:

– O campeonato todo foi muito competitivo. Foi definido na última montaria.

O prêmio em dinheiro recebido será aplicado justamente no aperfeiçoamento do profissional na atividade a que se dedica.

DE OLHO na consolidação dos negócios com países asiáticos, o Ministério da Agricultura embarcará no próximo mês em uma missão pelo continente. Na rota do grupo, que será chefiado pelo secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki, estão Coreia do Sul, Tailândia, Indonésia, Malásia e Emirados Árabes Unidos. A viagem será de 4 a 16.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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