CAMPO ABERTO – Sem unidades do RS nas novas habilitações da China

Aguardadas com ansiedade pela indústria brasileira, as novas habilitações para exportação de carne à China, comunicadas na manhã de ontem ao Ministério da Agricultura, colocaram um ponto final à espera que se arrastava há meses.

Na nova lista não estão frigoríficos do Rio Grande do Sul, embora existam unidades localizadas no Estado buscando o aval chinês. Há expectativa de que mais credenciamentos saiam em breve.

– Temos informações de que mais virão – confirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Diante da demanda extra chinesa, surgida em razão do surto de peste suína africana no país asiático, a entidade estimava que um número maior de frigoríficos desse tipo de proteína fosse habilitado – na lista de ontem, apenas a BRF de Lucas do Rio Verde (MT) foi incluída. No total, 25 plantas (17 de bovinos, seis de frango, uma de suíno e uma de asinino) receberam aval para começar a embarcar produto.

– Logo teremos reflexo disso, porque os importadores estão ávidos por carne brasileira – reforça Turra.

Percepção que é compartilhada pelo diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos:

– Recebemos de três a quatro pedidos por semana. E as unidades do RS que já têm autorização para vender estão com a capacidade comprometida.

O Estado tem hoje sete plantas de aves com aval para exportar à China. Outras duas unidades estão buscando autorização. O Rio Grande do Sul responde por 15% da receita gerada por exportações brasileiras para o país asiático neste ano.

– A gente sabe que devem sair mais plantas, e essas que estão buscando têm plenas condições – completa Santos.

Outro ponto destacado pela ABPA e importante para o RS é que os chineses estariam abrindo a possibilidade de embarque de carne suína com osso – condição hoje apenas de Santa Catarina, por conta do status sanitário em relação à aftosa. Três frigoríficos de suínos em território gaúchos estão aptos a mandar carne para a China.

– Isso amplia a possibilidade de oferta para lá e é um marco, uma mudança de paradigma – pontua José Roberto Goulart, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips) e diretor comercial da Alibem, que tem duas plantas autorizadas para venda ao país asiático.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora