CAMPO ABERTO – SEM COMBUSTÃO OU CONSENSO

Direto de Genebra, Suíça

A indústria do tabaco está em uma cruzada para convencer a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerar o tabaco aquecido e os vaporizadores como alternativa aos cigarros convencionais.

A defesa da indústria recebeu a chancela de 72 especialistas, que escreveram carta conjunta ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. O documento foi entregue na oitava sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP8), promovida pela OMS.

"Do ponto de vista da saúde, a principal distinção entre os produtos de nicotina é se eles sofrem combustão ou não. Não é se são produtos de tabaco ou não tabaco. Como o foco é o gerenciamento de riscos à saúde, essa distinção deve integrar o projeto e implementação da Convenção-Quadro", escreveu o grupo.

Na sede mundial da Philip Morris, em Lausanne, na Suíça, executivos do grupo reforçaram a estratégia global da companhia, "um futuro sem fumaça", e apresentaram o portfólio de vaporizadores e tabaco aquecido.

– Trabalhamos para acabar com a dicotomia fumar e morrer. Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Itália e Portugal, entre outros, reconheceram a redução de componentes tóxicos e riscos de novos produtos comparados ao tabaco tradicional – diz Rui Minhos, diretor regional de engajamento científico da empresa.

O argumento das indústrias é rechaçado pela chefe do Secretariado da Convenção, a brasileira Vera Luiza da Costa e Silva:

– A comunidade científica continua com visões divergentes, não existe consenso. As empresas têm interesse em vender e captar novos consumidores, principalmente crianças e adolescentes. A cada dia mais gente está parando de fumar, e eles estão querendo voltar a transformar o ato de fumar em algo socialmente aceito, através de um produto que pode parecer um remédio para reduzir os danos, mas que na verdade se desconhece ao certo.

Atualmente, os dispositivos para fumar são proibidos no Brasil. A Anvisa Sanitária debateu neste ano pela primeira vez a eventual regulamentação do tema.

Karen Viscardi

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora