CAMPO ABERTO – RETALHO PARA O COBERTOR CURTO DO SEGURO RURAL

O valor destinado pelo governo para a subvenção do seguro rural está muito aquém da necessidade. A projeção do setor é de que seria necessário R$ 1,2 bilhão para atender à demanda no país. Mas a quantia destinada para este ano não chega à metade: serão R$ 400 milhões. Além de ser curto, o cobertor tem buracos. Até o momento, o governo depositou só R$ 180 milhões.

A partir de hoje, a promessa é de que retalhos sejam feitos para garantir a cobertura possível. Segundo o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), vice-líder do governo, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou em reunião que hoje deverão ser liberados mais R$ 100 milhões. Outros R$ 100 milhões seriam depositados em outubro.

– Esses recursos, na grande maioria, são para os três Estados do Sul – afirma Moreira.

Embora importante, essa quantia a ser aportada agora nem de longe é suficiente para dar garantias a todos os produtores, em especial os do Rio Grande do Sul, já que o Estado é o último a plantar no calendário agrícola.

– É irrisório, é um paliativo. A maioria dos produtores gaúchos vai ficar sem subvenção do governo – afirma Elmar Konrad, presidente da Comissão de Crédito da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Sem a contrapartida do governo, o produtor acaba tendo que arcar com o pagamento, o que aumenta ainda mais os já elevados custos de produção. O percentual dos que conseguem ter acesso ao benefício fica abaixo de 10%.

Nos últimos seis anos, o valor destinado à subvenção do seguro rural sofreu vaivém, com altas e baixas. Segundo dados do Ministério da Agricultura, em 2011, os recursos somavam R$ 253,5 milhões. Subiram para R$ 693,5 milhões em 2014, despencaram para R$ 282,3 milhões em 2015 e ficaram em cerca de R$ 400 milhões em 2016 e em 2017. Também houve recuo no percentual: de 60% para, no máximo, 45%.

Com esse cobertor curto, o agronegócio brasileiro acaba perdendo competitividade. Konrad cita o exemplo da Inglaterra, onde esteve recentemente, em que cada hectare plantado recebe 200 libras esterlinas (cerca de R$ 850) de benefício do governo.

– Temos que concorrer com isso – desabafa o dirigente da Farsul.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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