CAMPO ABERTO – Reflexo externo

Se o apetite chinês por carne produzida no Brasil – e no Rio Grande do Sul – cresceu, o por soja reduziu na comparação com o ano passado. E o reflexo disso aparece nos resultados das exportações gaúchas do agronegócio. Dados do terceiro trimestre e do acumulado de 2019 foram divulgados ontem pelo Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento. De janeiro a setembro, as vendas externas do setor somaram US$ 8,4 bilhões, redução de 7,8% em relação a igual período do ano passado.

O desempenho é atribuído principalmente à soja, que em 2018 bateu recorde nos embarques, em razão de estoques em alta e da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Nos primeiros nove meses deste ano, a venda do grão caiu 35,3% em faturamento.

– Temos base alta de comparação, por conta do ano atípico que tivemos em 2018 no mercado de soja – explica o economista Sérgio Leusin Júnior.

Parte do recuo foi compensada por produtos florestais, fumo e carnes (veja acima).

– Nas carnes, o cenário é inverso – compara Leusin.

Na suína, o aumento do preço em dólar chegou a 30% no ano. A variação deve-se em especial à peste suína africana, que impactou o rebanho da China. No terceiro trimestre, as exportações gaúchas de carnes para o país asiático alcançaram o maior nível da série, iniciada em 2007.

Mas nem a demanda ampliada por carne conseguirá compensar a diferença da soja.

– É muito pouco provável que o cenário seja revertido. Não fosse a soja, certamente a situação seria diferente – conclui o economista.

NO RADAR

Está previsto para hoje o primeiro embarque de arroz brasileiro para o México. Serão 11 contêineres, que somam 250 mil quilos do produto beneficiado em indústria gaúcha. A abertura desse mercado foi anunciada em maio deste ano e vinha sendo buscada pelo setor desde 2013.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora