CAMPO ABERTO – QUEDA DE BRAÇO ENTRE AGRICULTURA E ECONOMIA

Os primeiros movimentos do governo Bolsonaro, em pouco mais de um mês de mandato, demonstram clara queda de braço entre os ministérios da Agricultura e da Economia. Enquanto a equipe de Paulo Guedes quer reduzir subsídios ao crédito rural e isenções a contribuições previdenciárias de produtores, a ministra Tereza Cristina tenta acalmar os ânimos do agronegócio que cobra do Planalto a contrapartida do apoio maciço dado ao presidente nas eleições.

Na primeira batalha, pelo menos, a agricultura levou a melhor. Na terça-feira, após pressão da bancada ruralista, o governo recuou e decidiu aumentar o imposto de importação para a compra de leite em pó europeu, de 28% para 42,8%. A mudança, a ser confirmada em decreto publicado ainda nesta semana, compensa o fim da cobrança de taxa antidumping sobre as importações de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia. A medida foi comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro, em uma derrota da equipe econômica, que era contra a manutenção dos benefícios.

Novo embate começou a ser travado nesta semana, quando minuta do projeto da reforma da Previdência incluiu o fim da isenção dada atualmente às contribuições previdenciárias dos produtores rurais que exportam. Essa renúncia retira cerca de R$ 7 bilhões por ano dos cofres do INSS. Hoje, os produtores rurais recolhem 2,6% sobre a comercialização de sua produção como contribuição previdenciária, por meio do Funrural, mas ficam isentos quando exportam parte do que produzem.

O agronegócio também se movimenta para reverter o fim do subsídio de R$ 3,4 bilhões por ano dado ao setor em descontos nas contas de luz – retirado no final do governo de Michel Temer.

Ontem, durante evento com servidores públicos em Brasília, o ministro da Economia disse que o governo não pode agir como uma "máquina de transferência perversa de renda", por meio da Previdência Social, dos impostos e dos subsídios. Na direção contrária, a ministra da Agricultura alertou nesta semana que um "desmame radical" dos subsídios pode desarrumar o agronegócio, que responde por 20% do PIB do país.

Os próximos movimentos do governo mostrarão quem será o vencedor do embate travado.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora

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