CAMPO ABERTO – QUE NOME CABERÁ NA VAGA DA AGRICULTURA

A pouco mais de 10 dias da posse do novo governo do Estado, há poucas certezas no horizonte do setor agropecuário. Uma delas é a de que as secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo devem mesmo ser unificadas salvo alguma reviravolta de última hora. A outra é a de que o PP deverá fazer o titular dessa pasta. Nos bastidores, alguns nomes chegaram a ser apontados. Como o do deputado estadual reeleito Sérgio Turra, que tem no público do segmento seu eleitorado. Mas ele também foi contrário, ontem, ao aumento de ICMS, o que se tornou uma pedra intransponível no caminho até a indicação.

Outro nome que apareceu foi o do também deputado estadual reeleito Ernani Polo, que esteve à frente da Secretaria da Agricultura durante o governo de José Ivo Sartori – posição da qual abriu mão para disputar uma vaga na Assembleia. Mas além da imagem colada à do governador que deixa o cargo, Polo também tem interesse na presidência da Assembleia Legislativa.

Mais recentemente, outros ingredientes foram acrescentados. Como a indicação de um nome que abrisse vaga para Ronaldo Santini (PTB), suplente de deputado federal e aliado de Eduardo Leite na campanha.

Ontem, o PSB, que comanda a Secretaria de Desenvolvimento Rural na atual gestão, decidiu pela participação no governo do tucano. Mas a extinção dessa pasta trouxe desconforto interno. Ligados à agricultura familiar e ex-presidentes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado, os deputados da legenda Heitor Schuch (federal) e Elton Weber (estadual) estão visivelmente contrariados com a junção das áreas.

– A manutenção da secretaria não está vinculada a cargos, mas sim às políticas e aos programas específicos para a agricultura familiar, uma categoria com um perfil diferenciado de atividades – garante Weber.

Ontem, o PSB enviou documento ao governador eleito, aprovado pela executiva do partido, solicitando que Leite reconsidere a decisão de fusão. Presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva também tentou sensibilizar os parlamentares ligados ao segmento. Um dia antes, ao receber prêmio na Assembleia, já havia pedido que a extinção não se concretizasse.

PRESSÃO PELA SUSPENSÃO

Produtores de uvas e representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) se reuniram ontem com a promotora Anelise Grehs, do Ministério Público Estadual, para reforçar pedidos de providências com relação ao agrotóxico 2,4-D. O produto é usado nas lavouras de soja para eliminar a erva-daninha conhecida como buva. Laudos da Secretaria da Agricultura revelam resultado positivo para resíduos do produto em 52 de 53 amostras.

Os produtores solicitaram que a promotora entre com ação para suspender o uso do produto no Estado.

– Estamos insistindo que a solução é proibir. Somente programas de qualificação para reduzir a deriva não são suficientes – afirma Valter Pötter, da Estância Guatambu.

Nas outras culturas, o produto causa atrofia, fazendo com que as plantas não se desenvolvam e morram. Há perdas de 40% a 90% em videiras e oliveiras.

Os produtores avaliam que criar áreas de exclusão de aplicação seria uma solução inócua, por entender que a fiscalização seria inviável. Escritório agrônomo independente será contratado para elaborar lista de substitutos ao 2,4-D. O relatório será entregue ao MP.

– Nosso foco agora será comprovar que existem alternativas. O dano econômico para oliveiras, videiras e fruticultura já está comprovado – diz Leocir Bottega, diretor-técnico da Ibravin.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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