CAMPO ABERTO – Proteção contra deriva ficou incompleta, avalia MP

As duas medidas apresentadas pelo governo para conter a deriva do 2,4-D no Rio Grande do Sul são apenas parte da solução que vinha sendo negociada. Segundo o promotor Alexandre Saltz, responsável pelo inquérito civil que apura o problema, outras duas ações previstas – também por meio de instruções normativas – não foram concretizadas.

Uma é a criação do conceito de venda assistida, para que as revendas também sejam envolvidas no processo. A outra, a implementação de cadastro das culturas do Estado, com o objetivo de mapear eventuais pontos sensíveis, com produções que ficam lado a lado com a soja – onde o herbicida é aplicado.

– Na visão do MP, as quatro iniciativas, somadas à qualificação do sistema de fiscalização e ao fundo de reparação, composto pelas fabricantes, seriam muito mais eficientes. Porque se as outras ações não vierem, a proteção fica incompleta – pontua Saltz.

Na última sexta-feira, a Secretaria da Agricultura emitiu duas instruções normativas. Uma implementa o termo de conhecimento de risco e de responsabilidade. A outra, cria a figura do aplicador, que precisará passar por curso para que seja inserido em um cadastro, sem o qual sua atuação fica irregular.

Hoje, serão publicadas adequações a essas regras. Uma é o acréscimo de Hulha Negra na lista dos municípios que terão de cumprir com a exigência do cadastro do aplicador entre julho deste ano e maio de 2020, ampliando para 24 o total. Também serão fixadas duas datas: 16 de julho para início da identificação dos aplicadores no cadastro estadual e 1º de agosto para que o produtor informe para a Secretaria da Agricultura a aplicação do 2,4-D.

Diretor de Política Agrícola da pasta, Ivan Bonetti diz que tanto novas medidas quanto alterações no textos publicados devem ser reavaliadas pelo grupo técnico criado para tratar dos problemas referentes à deriva do herbicida.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora