CAMPO ABERTO – PRIMEIRAS AÇÕES PARA CONTER DERIVA DO 2,4-D

Depois de longo período de debate, saem as primeiras medidas do Estado na tentativa de conter a deriva do 2,4-D. Duas instruções normativas estão prontas e devem ser publicadas no Diário Oficial entre hoje e segunda-feira. Trazem duas novidades: criação de cadastro dos aplicadores e necessidade de assinatura de termo de conhecimento de risco e responsabilidade na hora da compra do herbicida.

O anúncio veio ontem após reunião no Ministério Público do Estado, com o promotor Alexandre Saltz e representantes da Secretaria da Agricultura, da Federação da Agricultura do RS e de empresas fabricantes do 2,4-D.

– Vamos criar a figura do aplicador. Para ser cadastrado como tal, terá de ter diploma do curso de treinamento – explica o secretário de Agricultura, Covatti Filho.

Segundo o titular da pasta, essa ferramenta ajudará os técnicos no momento da fiscalização nas propriedades. Se forem constatadas irregularidades na aplicação, serão responsabilizados o produtor e o aplicador. Inicialmente, os cursos de formação serão nos 23 municípios em que laudos da secretaria confirmaram a presença de resíduos do produto em outras culturas que não a da soja, onde é aplicado.

A outra normativa trata do termo de conhecimento de risco e responsabilidade, no qual constarão pré-requisitos para a aplicação, como condições meteorológicas e equipamento adequado para evitar que o produto se espalhe para outras culturas. As empresas também farão folhetos com alertas sobre essas condições e riscos e prejuízos da deriva.

No encontro de ontem do MP também foi discutida a criação de fundo, de cerca de R$ 6 milhões, para garantir a eficiência no controle do 2,4-D. O herbicida está no centro de polêmica desde o ano passado, quando houve a comprovação de que o produto foi detectado em culturas como a da uva, da maçã e da azeitona, onde provocou perdas. Representantes dos setores afetados defendem a suspensão do uso.

FATIA A SER TRIPLICADA

Depois de anos com participação tímida no crédito rural, o Banrisul quer ampliar o espaço nos financiamentos do agronegócio. Com 6% do mercado, busca triplicar o percentual em três anos.

E, para isso, direciona esforços internos para conseguir atrair a atenção do produtor rural. Ontem, em cerimônia na Casa NTX, em Porto Alegre (foto), anunciou o Plano Safra 2019/2020. Serão colocados R$ 3,25 bilhões em recursos, montante que é quase o dobro do concretizado no ciclo passado.

– Buscamos emprestar para o agro tanto quanto emprestamos para outros setores. Para fazer isso, é preciso praticamente triplicar a participação (no crédito rural, de 6%), já que no crédito total a participação é de 20% – compara Claudio Coutinho, presidente indicado do Banrisul.

Da quantia que foi anunciada, R$ 300 milhões são para financiar investimento, com linhas do BNDES. Os outros R$ 2,95 bilhões serão para custeio e comercialização. Desse montante, 20% tem juro controlado. O restante, livre.

– Uma das nossas vocações é o agronegócio e, por isso, o banco do Estado não pode ter uma outra estratégia que não seja justamente buscar incentivar ainda mais o investimento no campo – afirmou o governador Eduardo Leite.

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134, 4 mil toneladas de carne bovina foram exportadas em junho pelo Brasil.

O volume é 107% maior do que no mesmo período do ano passado.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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