CAMPO ABERTO – PRESSA NA RETOMADA DAS VENDAS À CHINA

O posicionamento do Ministério da Agricultura pela suspensão dos embarques de carne bovina para a China obedeceu a protocolo firmado entre os dois países. E é por ter seguido a cartilha à risca que o Brasil deposita sua confiança de que os chineses avaliem logo nos próximos dias toda a documentação enviada, abreviando o autoembargo.

– É uma coisa comum e mostra que o serviço de inspeção brasileiro está funcionando. No ano passado, mais de 20 países tiveram ocorrência como essa, atípica. Não é contagiosa, não tem perigo para ninguém, é uma coisa normal. Mostra transparência e governança do serviço de inspeção – afirmou ontem a ministra Tereza Cristina.

E ela tem razão. O caso de encefalopatia espongiforme bovina (doença conhecida como mal da "vaca louca") atípica não é um bicho de sete cabeças. Tanto que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) manteve inalterado o status brasileiro com relação à doença.

O problema é o risco de efeito manada em uma situação como essa. De outros países adotarem medida semelhante à do próprio governo brasileiro, suspendendo temporariamente as compras do produto nacional. Em 2012, quando outro caso atípico foi comunicado ao mercado, seguiu-se série de embargos. Alguns dos quais se mantiveram por longo período – caso do Japão, que colocou ponto final na suspensão só em 2015, três anos depois.

Representantes da indústria passaram boa parta da tarde de segunda-feira, quando surgiu a notícia do autoembargo, reunidos com técnicos do ministério e com a titular da pasta.

– Esse é um procedimento normal, mostra a capacidade de diagnóstico do Brasil. A expectativa é de retomada o quanto antes – reforça Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que participou do encontro.

A pressa – ou a ansiedade – da retomada, no atual contexto, faz todo o sentido. Não só pelo peso que a China já tem nas compras de produto brasileiro – foi destino de 17,8% do volume total embarcado pelo Brasil de janeiro a abril deste ano. Mas, também, porque está prestes a abrir ainda mais espaço para a proteína animal brasileira.

UM QUARTO DE SÉCULO

Ponto de encontro entre produtores e consumidores de produtos orgânicos na Capital, a Feira Ecológica do Menino Deus chega aos 25 anos de existência. Realizada às quartas e sextas-feiras no pátio da Secretaria da Agricultura, envolve hoje a participação de 500 famílias ligadas às atividades das 60 bancas instaladas. No final de semana, mais de 10 mil pessoas passam pelo local.

E hoje, dia escolhido para celebrar um quarto de século de existência, a feira vai alongar sua permanência na área que ocupa. O termo de cessão de uso será assinado por período de um ano.

– Gostaríamos que o prazo fosse maior, como costumava ser. Para nós, um ano é um pouco frágil, porque temos interesse em melhorar o espaço – afirma Marcia Riva, agricultura e expositora da feira.

Gabriel Fogaça, diretor administrativo da pasta da Agricultura, explica que o prazo de 12 meses é o padrão para os termos de cessão de uso na atual gestão – cita como exemplo a feira de azeites de oliva, também no pátio da secretaria.

Hoje, em meio às comemorações, também deve ser oficialmente criado grupo de trabalho que debaterá a proposta de abertura da área da secretaria para a participação de outros segmentos, como o da produção familiar convencional. O compromisso foi assumido em reunião anterior com produtores ecológicos, em abril. O tema é um ponto sensível. Há preocupação de que se possa colocar em risco a referência conquistada pela feira como espaço de produção sem uso de agrotóxicos.

Abaixo-assinado segue coletando assinaturas para a manutenção da exclusividade de uso do local.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora