CAMPO ABERTO – PREÇO MÍNIMO DO ARROZ PODERÁ SER REVISADO

Com as primeiras lavouras de arroz começando a ser colhidas no Rio Grande do Sul, os produtores estão na expectativa do preço mínimo da cultura ser revisado pelo governo federal. Nesta semana, técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) irão a campo para levantar os custos de produção do cereal em diversas regiões do Estado. Embora o levantamento esteja focado no ciclo do próximo ano, o setor produtivo espera que alguma mudança possa ocorrer ainda na safra em andamento.

– O preço mínimo está pelo menos 5% defasado. Isso será demonstrado na prática quando os técnicos da Conab forem a campo – prevê Alexandre Velho, vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).

Segundo o dirigente, o cálculo atual não leva em consideração os investimentos, o pró-labore e o arrendamento das terras – muito comum na atividade arrozeira. Hoje, o preço mínimo da cultura está fixado em R$ 36,44 (saca de 50 quilos). O valor, segundo Velho, deveria ser reajustado para algo entre R$ 40 e R$ 42.

Na última sexta-feira, em reunião com indústrias na sede da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), em Porto Alegre, os arrozeiros solicitaram o escalonamento do pagamento dos financiamentos privados – previstos para vencer em abril em uma parcela única. Mais de 60% da produção de arroz hoje é financiada pelas indústrias.

– As lavouras foram muito prejudicadas pelo excesso de chuva. Os produtores precisam de um fôlego para poder vender a safra sem pressão de preço – argumenta o dirigente, acrescentando que as primeiras lavouras colhidas na Fronteira Oeste estão apresentando redução de 20% na produtividade.

Durante a reunião, representantes do setor também discutiram a busca de mecanismos para apoiar a comercialização da safra, além de alternativas para conter o endividamento.

– Já alertamos o governo sobre a necessidade de apoiar os produtores de arroz. Iremos reforçar o pleito a fim de conseguir alguma medida a curto prazo, antes do fim da colheita – disse o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), articulador do encontro entre arrozeiros e indústria.

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora