CAMPO ABERTO – Preço do boi atinge patamares históricos

A pecuária de corte vive momento singular no país. A fome chinesa por produtos brasileiros produz efeitos como o da valorização histórica do preço do boi gordo. Esse impacto aparece tanto no cenário nacional quanto no estadual, ainda que em proporções diferentes.

No Brasil, monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) apontou recordes, com o valor da arroba (unidade equivalente a 15 quilos), superando, pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1994, a marca de R$ 200 – a cotação chegou a R$ 204,05 ontem.

No Rio Grande do Sul, onde a cotação costuma ser feita em quilo vivo, chegou-se ao maior patamar dos últimos cinco anos. Conforme o Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da UFRGS, o quilo vivo chegou a R$ 6. Até então, a melhor marca, em valores reais, havia sido registrada em 2014. A valorização no Estado, no entanto, tem intensidade menor do que no resto do país.

– Ainda não estamos com ganhos maiores porque temos pouco gado rastreado e só três plantas habilitadas para exportar carne bovina para a China – diz Júlio Barcellos, coordenador do Nespro.

Ele projeta que o preço no Estado chegará no início do próximo ano à quantia hoje já verificada no resto do país – com quilo vivo a R$ 6,74. Ronei Lauxen, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do RS (Sicadergs), entende que o Estado deva acompanhar o movimento nacional , "com alguns dias de defasagem":

– É um momento que nunca vivemos, com vários fatores influenciando. O principal é a demanda da China, mas há também a entressafra no RS que vai até janeiro, fevereiro.

E se a valorização do produto é positiva para produtores e indústria, há preocupação com impactos dessa alta dentro de casa – 80% da carne bovina atende o mercado doméstico.

– Quem determinará os patamares será o consumidor brasileiro, que não está com renda tão boa. Poderá ser um freio no começo do próximo ano – pondera Thiago de Carvalho, pesquisador do Cepea.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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