CAMPO ABERTO – Por que vacas foram parar no Piratini

Não foram só servidores públicos que rumaram para o Palácio Piratini, na Capital, no dia de ontem. Duas vacas, das raças holandesa e jersey, acompanharam mobilização de produtores de leite. Em cartazes, eles pediam a revogação de duas instruções normativas, a IN 76 e a IN 77, que tratam de padrões de qualidade do leite. A manifestação teve início na superintendência regional do Ministério da Agricultura. Depois de chegar ao Piratini, o grupo participou de audiência pública realizada no Teatro Dante Barone, da Assembleia.

Em seguida, representantes de entidades e parlamentares estiveram reunidos com o secretário da Casa Civil, Otomar Vivian, para quem reforçaram pedido de suspensão das normas e de interlocução com o governo federal. O argumento é de que as regras estão excluindo os pequenos produtores.

– A Agricultura fala que é só melhorar a higiene, mas isso é uma parte. Tem a questão da temperatura ideal para chegar na indústria. Há grande deficiência na energia elétrica no Interior e falta de estrutura nas estradas – afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).

Ele acrescenta que 12% dos cerca de 65 mil produtores de leite não teriam condições de atender às exigências.

– Nosso problema principal é a distância do produtor até o entreposto. Tem rotas que somam 250 quilômetros. É impossível chegar a 7ºC na indústria. As empresas vão pegar de quem é possível – reforça Adelar Pretto, presidente da Cooperativa Central dos Assentamentos de Reforma Agrária (Coceargs).

Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do RS, ponderou que as regras não vieram com o objetivo de excluir ninguém.

O Ministério da Agricultura lembra que as instruções não trouxeram novidades nos limites exigidos, previstos desde 2014. Foram submetidas a consultas públicas para o recebimento de sugestões. Publicadas no ano passado, entraram em vigor em 30 de maio deste ano.

– O objetivo é beneficiar o consumidor, ofertar um melhor produto para ele – reforça a auditora fiscal federal agropecuária Milene Cé.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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