CAMPO ABERTO – POR QUE INDICAR MAITÊ PROENÇA NÃO FAZ SENTIDO

Ganhou destaque a declaração da atriz Maitê Proença de que teria sido sondada para assumir o Ministério do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo declaração feita ao colunista do jornal O Globo Ancelmo Gois, o objetivo seria tirar o viés ideológico a que o setor ambiental ficou associado.

Mas a indicação de Maitê, de fato, parece pouco provável. Por uma série de motivos. O primeiro é justamente o fato de ela sair por aí falando sobre a sondagem. Os últimos nomes que fizeram isso acabaram ficando de fora do governo em formação.

Segundo, porque essa escolha destoaria das outras feitas até agora pelo presidente eleito. Ele tem apontado pessoas que reúnem qualidades técnicas – caso da deputada Tereza Cristina, ministra da Agricultura, engenheira agrônoma, produtora e ainda tem o peso de líder da bancada ruralista no Congresso.

Embora a atriz tenha todo o direito e a legitimidade de sair em defesa do ambiente, usando inclusive sua imagem pública para tal, comandar uma pasta de tamanha importância exige muito mais do que disposição para diálogo e bom relacionamento.

Produtores também avaliam que o Meio Ambiente é marcado por ideologias e que é preciso melhorar a comunicação e a interação com o setor produtivo – tanto que havia quem defendesse a famigerada fusão. Mas para criar esse canal com o agronegócio, é preciso estar em pé de igualdade. E, para tal, é necessário conhecer o ambiente em profundidade.

Maitê é ex-mulher de Paulo Marinho, empresário próximo de Bolsonaro. E isso poderia estar pesando na sondagem. De novo, amigos muito próximos já ficaram de fora do governo. Luiz Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista e presença constante na campanha e na transição, é um exemplo. Seu nome, cotado para o cargo, foi preterido pelo de Tereza Cristina, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

É dentro dessa lógica que a nomeação de Maitê não faz sentido.

Líder na proteção de cultivo de arroz no Brasil, a Basf fechou parceria com a empresa gaúcha AP Desenvolvimento de Arroz (do Grupo Ernesto Corrêa da Silva) para transferência de tecnologias de sementes. Anunciado ontem, em São Paulo, o acordo com duração de 10 anos permitirá o uso das novas variedades (híbridas e convencionais) juntamente com o sistema Clearfield – utilizado em 85% das lavouras de arroz irrigadas no país.

– O mercado brasileiro de arroz é muito exigente em qualidade. Estamos apostando em resultados de médio e longo prazos, já que o melhoramento genético é demorado – explica Mairson Santana, gerente de marketing de sementes Brasil da Basf.

A parceria teve início neste ano com a semeadura de seis materiais em três regiões do Rio Grande do Sul. Outros ensaios estão sendo feitos em Penedo (AL), onde fica o banco de germoplasma da AP Desenvolvimento de Arroz.

– Nosso banco, com mais de 18 anos, é diferenciado, adaptado ao sul do Brasil e ao Uruguai desde os primeiros experimentos. A sinergia entre químicos e sementes é o futuro – destaca Haroldo Pimentel Stumpf, vice-presidente executivo do Grupo Ernesto Corrêa da Silva e líder do programa de híbrido da AP Desenvolvimento de Arroz.

A intenção das empresas é também estimular o uso de sementes híbridas nas lavouras brasileira de arroz – hoje em torno de 4%, sendo o restante de variedades convencionais. A projeção é de que as primeiras sementes frutos da parceria cheguem ao mercado em pelo menos três safras, no ciclo 2020/2021.

– Apostamos na viabilidade de sementes híbridas e na união de forças complementares – resume Rogério Diacov, gerente de projetos da Basf, que tem participação de quase 30% no mercado brasileiro de defensivos químicos voltados ao arroz.

* A repórter viajou a convite da Basf PARCERIA CULTIVADA NO RS

JOANA COLUSSI*

Fonte : Zero Hora

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