CAMPO ABERTO – POR QUE AS VENDAS DE SOJA TÊM RITMO LENTO

Com a colheita de soja em ritmo acelerado, o foco começa a migrar das lavouras para os negócios. E o retrato do momento atual mostra lentidão na comercialização do grão no Brasil e no Rio Grande do Sul. Segundo a Datagro Consultoria, as vendas no país da safra 2018/2019 chegaram a 52% da produção esperada, percentual abaixo dos 54% registrados em igual período do ano passado e na média dos últimos anos. No Estado, soma 31% ante 34% de 2018 e na média.

– O motivo é o preço. Não estão ruins, mas bem abaixo dos desta época no ano passado – observa Flávio Roberto de França Jr., chefe de grãos da Datagro.

O produto embarcado via porto de Rio Grande tem hoje valor 20% menor do que no mesmo período de 2018. Três fatores importantes pesam na formação do preço do grão: o valor na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, a variação cambial e o prêmio pago pelo grão brasileiro nas exportações.

Índio Brasil dos Santos, da Solo Corretora, corrobora que, do ano passado para este, houve uma grande mudança de cenário para o agricultor. O especialista projeta que, pelos próximos 60 dias, a taxa de câmbio será o fator de maior peso nos negócios.

O ritmo mais devagar vivenciado neste momento traz a perspectiva de estoques altos de soja e redução de receita.

-Acho que o produtor perdeu um pouco o timing da venda. Agora, precisará torcer por coisas que estão fora do seu controle – complementa Santos, em referência a eventual impacto sobre as cotações em Chicago decorrentes de problemas climáticos na safra americana, cuja colheita ocorre em setembro.

No ano passado, o mercado para a soja brasileira foi afetado positivamente pela disputa comercial de EUA e China que, entre outras coisas, inflou os prêmios pagos pelo grão do Brasil. Agora, a possibilidade é de acordo entre os dois gigantes. Mas França Jr não vê isso como problema:

– Estamos com mercado deslocado do normal em razão dessa disputa. Não se consegue fazer planejamento porque há uma distorção. Tem um elefante na sala.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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