CAMPO ABERTO – PÃO FRANCÊS PODE FICAR 10% MAIS CARO NO ESTADO

Para quem faz questão de incluir pão francês no cardápio diário, a notícia é indigesta. A combinação de fatores como valor pago pela matéria-prima, reajustes na conta de luz e nas embalagens faz com que moinhos do Rio Grande do Sul projetem aumento no valor da farinha o que refletirá nos produtos que levam o ingrediente. A estimativa é de que o acréscimo fique em torno de 10% e venha no final deste mês ou no início do próximo.

– As empresas estão defasadas cerca de 10%. Quando há expectativa de nova safra, consumidor emercado pensam que os preços cairão, é normal subir na entressafra e reduzir fora dela. Mas neste ano temos colheita prejudicada pelo clima no Paraná – pondera Diniz Furlan, presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Estado (Sinditrigo-RS).

Ele avalia que a redução na oferta fará com que os preços se mantenham ou até registrem leve alta, mesmo no auge da colheita. No Rio Grande do Sul, no entanto, o cenário ainda não está consolidado. A colheita de trigo se intensifica, e o resultado final tem relação com o tempo. O excesso de umidade é prejudicial neste momento, podendo afetar a qualidade.

– Tudo depende muito do clima neste período. Se tudo ocorrer bem, ainda teremos boa safra – diz Altair Hommerding, coordenador da Câmara Setorial do Trigo na Secretaria da Agricultura.

Analista da Safras & Mercado, o economista Élcio Bento reforça que há temor de perdas por conta da chuva em excesso. A tendência, no entanto, é de recuperação em relação à colheita do ano passado. Sobre valores do cereal, tem avaliação diferente da do presidente do Sinditrigo-RS:

– Com relação ao preço, o grande fator é o câmbio. Mas como a moeda americana está se acomodando, a tendência é de que, mesmo com quebra de safra no Brasil, os preços do trigo se estabilizem. Está muito mais para cair do que para subir.

Embora os valores possam ficar menores na comparação com os meses anteriores de 2018, ainda assim estarão maiores do que em igual período do ano passado.

E vale lembrar que o Brasil não é autossuficiente na produção: consome cerca de 11 milhões de toneladas, mas colhe em torno de 5 milhões de toneladas de trigo.

Ao fazer análise sobre o fornecimento de alimentos em 16 grandes redes de supermercados do mundo nos últimos dois anos, a Oxfam, organização dedicada à ajuda humanitária presente em 84 países, identificou que as mulheres envolvidas na produção ganham menos do que os homens, corroborando percepção identificada em outra pesquisa global, como publicou a coluna.

Em setores nos quais são a maioria da força de trabalho, como na produção de chá na Índia (veja acima), há grande diferença entre renda média e ganhos de um salário considerado digno.

O dado faz parte do relatório A Hora de Mudar e foi apresentado ontem, dia mundial da alimentação, em evento no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

– Essa invisibilidade se reflete nas políticas dos supermercados, e é por isso que advogamos para que adotem políticas específicas, preocupadas com o papel da mulher. Essa é uma das nossas principais recomendações – afirma Gustavo Ferroni, assessor sênior de políticas e incidência da Oxfam.

A pesquisa apontou ainda que, nos últimos 20 anos, redes europeias e americanas aumentaram a fatia sobre o preço final de produtos como café, laranja, banana, arroz, vagem e uva.

– Hoje, as grandes redes de supermercados são, para os 12 alimentos que analisamos, a parte que fica com a maior fatia, cerca de 34% do valor – afirma Ferroni. RENDIMENTO DESIGUAL

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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