CAMPO ABERTO – PIB COM ATRASO, MAS SEM SURPRESAS

Não há mistério nos números do PIB do Rio Grande do Sul finalmente divulgados, tanto em relação a 2017 quanto ao primeiro trimestre deste ano. Fazendo jus a projeções feitas, o Estado fechou o ano passado com crescimento ancorado na agropecuária, segmento que cresceu na casa de dois dígitos: 11,4%. Da mesma forma, é o resultado negativo do setor que puxa para baixo o desempenho da economia gaúcha no primeiro trimestre, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) – leia mais na página 14.

Em comum, nesses desempenhos antagônicos, está a relevância do setor primário. Quando o campo vai bem, a cidade também vai. Se o campo vai mal, a cidade repete o movimento, diz a máxima.

– Não chega a supreender. Significa que a gente teve uma safra enorme em comparação com o ano de 2016 – observa Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul, sobre o crescimento do ano passado.

Ou seja: o avanço da economia do RS reflete a supersafra colhida em 2017 – a soja, por exemplo, atingiu patamar histórico de 18,7 milhões de toneladas.

Com essa base de comparação elevada e uma colheita com volume menor, já se previa recuo para 2018. Há ainda que se considerar o fato de que, no Estado, o grosso do efeito da colheita de verão – que inclui soja e milho – aparece no segundo trimestre.

Apenas a título de curiosidade, a Farsul estimava, em seu tradicional balanço de final de ano, queda de 3% para o PIB da agropecuária em 2018 – como Fipe mudou a metodologia, o economista afirma que ainda não é possível traçar um paralelo. Apesar do dado estatístico negativo, o cenário não é visto como ruim.

– É muito mais um efeito percentual em relação à base de comparação do que o desempenho do setor em si – acrescenta Luz.

MARCADA PARA segunda-feira, audiência pública sobre transporte e exportação de animais vivos foi adiada para 9 de julho. Em nota, a deputada Regina Becker (PTB), proponente do debate, e o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia, Altemir Tortelli (PT), explicam que o cancelamento ocorreu porque foi negada a concessão do espaço da Câmara de Vereadores de Rio Grande, local do evento.

VALORIZAÇÃO PÓS-GREVE

A redução no volume captado no período da greve dos caminhoneiros ajudou a elevar os preços do leite da indústria para o varejo. Nos primeiros 10 dias de junho, o UHT aumentou 14,71%, conforme o Conseleite. O valor ao produtor também subiu: 6,76%, comparando preço projetado no mês com o consolidado em maio.

Ainda assim, são valores inferiores aos de 2017 – no acumulado do ano, 5,5% menores, no caso do leite longa vida.

– Não se pode considerar que a valorização dos produtos foi boa porque, ao mesmo tempo, houve redução de produção com a greve. O prejuízo foi diferente de empresa para empresa, mas a queda de quantidade trouxe impacto direto no lucro das indústrias – observa Eduardo Finamore, professor da Universidade de Passo Fundo.

As indústrias gaúchas venderam em maio 16,7% menos do que em abril – 108 milhões, ante 126 milhões de litros.

A paralisação não é o único motivo da valorização. Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados, explica que o frio, aguardado para turbinar o consumo, veio com força. E a variação cambial torna as importações de leite menos atrativas.

Dois Estados em uma só disputa

A qualidade dos rebanhos e os investimentos dos criadores da região reforçam a aposta em mais uma seletiva do Freio de Ouro de alto padrão. O município de Ponta Grossa (PR) recebe neste final de semana a classificatória de Santa Catarina e Paraná. Estarão em jogo 16 vagas (oito machos e oito fêmeas) para a final da competição, no primeiro final de semana da Expointer, em agosto.

– São regiões de investimento muito alto no cavalo crioulo, que contam com os maiores rebanhos da raça depois do Rio Grande do Sul. E o Paraná, especificamente, tem investimento muito pesado em genética, tendo um dos melhores rebanhos, com grandes criadores e criatórios de muito capricho e zelo na raça – observa César Hax, vice-presidente administrativo e financeiro da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), que organiza a prova.

O outro lado do moeda

Se por um lado a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar tem ajudado a valorizar as commodities em reais, por outro, alimenta a alta dos custos de produção.

É o que mostra o levantamento mensal da inflação do agronegócio, medido pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

A elevação da taxa de câmbio foi determinante, segundo a entidade, para o aumento nos custos de produção em maio, que avançaram 2,19%.

No acumulado do ano, a alta chega a 3,03%, mais do que o dobro do IPCA registrado no período.

O peso de produtos mais caros, sobretudo fertilizantes, que são importados e, portanto, têm elevação com a desvalorização do real frente ao dólar, deve aparecer com maior força mais para frente, no período de plantio da próxima safra de verão.

Por ora, existe um cenário favorável ao produtor. No acumulado do ano, os preços recebidos avançaram 15,44%.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora