CAMPO ABERTO – PESTE SUÍNA AFRICANA AVANÇA NA ÁSIA

Enquanto os estragos causados pela peste suína africana na Ásia continuam sendo contabilizados, reforçando a necessidade do continente de reforçar as compras externas de proteína animal, o Brasil segue na expectativa pelo anúncio da habilitação de novos frigoríficos para a China. No relatório mais recente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o total de animais abatidos por conta da doença é de 3,7 milhões. É 42% a mais do que no boletim do final do mês passado.

Por enquanto, o que chama a atenção é que a maior parte desses abates foi no Vietnã – 2,6 milhões, com a China ficando bem atrás – 1,13 milhão de exemplares abatidos. Em tese, como têm o maior rebanho – 440 milhões de cabeças – e o maior número de focos, os chineses deveriam estar com quantidade superior de descarte. Segundo a FAO, os dados são de órgão oficiais dos países – aparecem na lista de monitoramento Camboja, China, Coreia, Laos (com o primeiro caso confirmado da doença no último dia 20), Mongólia e Vietnã.

O levantamento em relação ao impacto na China estaria subestimado. Outras projeções apontam que o efeito da doença será bem mais devastador.

– O Rabobank aponta que, entre abates sanitários e antecipados, 25% do rebanho será perdido – diz Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A entidade tem posto avançado em Pequim, capital chinesa. E vem sendo abastecida com informações em tempo real pelo representante que está nessa unidade. Por ora, mantém a projeção considerada conservadora de que o pais asiático terá um declínio na produção de aves e de suínos de 10 milhões de toneladas.

Com relação à habilitação de novos frigoríficos, o setor avalia que é só questão de tempo.

– O Brasil está preparado para atender, tem plantas com condições. A questão é trabalhar muito com o autocontrole, porque a China terá a demanda – corrobora Leonardo Werlang Isolan, chefe do Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura no Estado.

Ele esteve em missão do governo brasileiro na China, durante 20 dias, onde tratou de pontos como o credenciamento de novas unidades.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora