CAMPO ABERTO – PARA EVITAR ATAQUE, UMA BOA DEFESA

As irregularidades flagradas em operações como Carne Fraca e Trapaça e os consequentes embargos ao produto brasileiro alimentam discussões sobre como melhorar o sistema de vigilância sanitária no Brasil. O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), vê a necessidade de aperfeiçoar a fiscalização para evitar que o Brasil sofra a perda de mercados em um setor que, pela liderança mundial, sempre pode ser alvo de protecionismo.

Rodrigues entende que o sistema brasileiro tem virtudes, mas deixou a desejar. Assim, peca em não realizar um trabalho à altura do peso que o país alcançou no comércio mundial de proteína animal. Não é mais possível errar, alerta Rodrigues, que cita discussões sobre uma nova entidade para atuar na área. A iniciativa uniria empresas e poder público.

– O governo não consegue fiscalizar o Brasil inteiro. Temos um bom sistema, mas há falhas. É preciso coordenação muito mais rigorosa entre federação, Estados, privado e até municípios. No fim, quem perde é o privado, que quebra. É preciso uma articulação de todos, mas a ênfase é a participação do privado no processo. Esse é o tipo de PPP fundamental – disse Rodrigues, na Agrishow, em Ribeirão Preto, lembrando que para o debate frutificar é preciso vencer resistências corporativas e mesmo institucionais.

A justificativa para aumentar o rigor é simples. A disputa pelos mercados é cada vez mais renhida. E os competidores ficam sempre à espreita, à espera de brechas abertas por quem está à frente do jogo. Tudo o que o Brasil não precisa é dar munição para seus concorrentes.

caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

Fonte : Zero Hora

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