CAMPO ABERTO – Ofensiva tenta barrar extinção da CESA

A pouco mais de 15 dias do prazo em que o projeto de lei para a extinção da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) começa a trancar a pauta da Assembleia Legislativa, o Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais (Sagers) promete intensificar a ofensiva para sensibilizar deputados a votarem contra a proposta do governo.

Na próxima semana, baterá de porta em porta em busca de apoio para a manutenção das atividades da companhia. Documento em que é questionada a iniciativa já foi enviado aos deputados.

– É um contrassenso, porque não há benefício com a extinção. Qual a vantagem de fechar? O Estado pagará o compromisso firmado no acordo trabalhista (referência à ação do piso da categoria)? – questiona Lourival Pereira, presidente do Sagers.

O governo, no entanto, está resoluto. A extinção foi sendo costurada ao longo dos últimos dois anos. O primeiro passo foi retirar a necessidade de realização de plebiscito para a extinção – aprovada em 2016 pela Assembleia. Agora, retomou o regime de urgência do Projeto de Lei 248/2017, que trata justamente do fechamento da Cesa.

– Tem sido feito esforço para diminuir passivo, resolver pendências e liquidar ativos. A extinção dá outra configuração jurídica à companhia – afirma o líder do governo, deputado Gabriel Souza (PMDB).

Conforme previsto no texto, se aprovada a lei, até 30 dias após sua publicação deverá ser convocada assembleia-geral de acionistas, na qual serão nomeados liquidante da Cesa e conselho fiscal e determinado prazo da liquidação.

Atual presidente da companhia, Claudio Cava Corrêa explica que caberá ao liquidante e ao conselho definirem qual estratégia será adotada para o fechamento.

Há dois cenários possíveis: a venda de todas as unidades, com o governo assumindo os compromissos financeiros que cabiam à companhia, ou a manutenção das filiais que são rentáveis (nove no total, incluindo três portuárias), permitindo a entrada de receita enquanto são negociadas as demais.

no radar

A Sociedade Rural Brasileira emitiu nota de repúdio ao projeto de lei aprovado por vereadores de Santos que proíbe a movimentação de carga viva na cidade. A entidade afirma que "ao tentar dificultar os embarques de animais nos arredores do porto de Santos, a medida causa insegurança para os pecuaristas brasileiros e prejudica compromissos comerciais do país". Diz ainda contar com o bom senso do prefeito para vetar o texto.

APESAR DOS NÚMEROS

Ainda que os números da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostrem recuo de 5,1% no faturamento das indústrias de máquinas e implementos agrícolas no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2017, o setor mantém aposta no crescimento em 2018.

– Esse resultado não reflete o que o mercado está mostrando, o que tem se visto nas feiras, como o Show Rural Coopavel e a Expodireto Cotrijal – pondera Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos agrícolas da Abimaq.

A projeção é de que haja expansão entre 5% e 8% neste ano. A entidade, que é uma das organizadoras da Agrishow, estende o otimismo para a feira que será realizada em Ribeirão Preto (SP). Nem mesmo a perspectiva de corte na taxa de juro do crédito agrícola no novo Plano Safra deve atrapalhar os negócios.

– Não se sabe quanto vai cair. E o preço da máquina poderá ser diferente do de agora. Outro detalhe é que não se sabe o valor do produto agrícola lá em julho, agosto – pondera Bastos.

Habilitada a inspecionar

É de Venâncio Aires a primeira empresa habilitada pela Secretaria da Agricultura a prestar serviços para a inspeção privada nas indústrias de produtos de origem animal sob fiscalização estadual.

O credenciamento da consultoria Compilar foi publicado no Diário Oficial de ontem. Segundo Joel Luiz Martins, diretor da empresa, dos três médicos veterinários em atuação, um tem experiência de 600 horas – o que o exime do curso teórico prévio. O número de profissionais a serem contratados, pondera, será proporcional à demanda.

Mais quatro empresas interessadas no credenciamento estão sob análise de comissão da secretaria. Também há um edital de chamamento aberto para entidades que queiram ficar responsáveis pelo treinamento teórico dos veterinários que atuarão na inspeção.

está agora Nas mãos do Ibama

A superintendência do porto de Rio Grande ainda tem expectativa de conseguir realizar a dragagem de manutenção antes da entrada da safra, mas o calendário está ficando cada vez mais apertado. O novo projeto para a limpeza foi entregue ao Ibama na terça-feira. O órgão federal não deu prazo para avaliação, mas Janir Branco, superintendente do porto, avalia que "um mês parece um tempo razoável":

– Eles sabem da nossa necessidade.

Com dificuldades para obter autorização para a dragagem completa, a superintendência optou por realizar a obra em etapas. Na proposta entregue, está prevista a retirada de 3,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos. O volume foi determinado a partir de batimetria.

A última dragagem foi feita em 2013. O assoreamento do canal de passagem no porto faz com que, dependendo das condições meteorológicas, navios não consigam zarpar – o que ocorreu duas vezes no ano passado, durante escoamento da produção agrícola.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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