CAMPO ABERTO – O que esperar da passagem da ministra por Esteio

A presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Expointer tem grande peso político. Mas a chance de que saiam anúncios de soluções para os principais problemas dos produtores gaúchos é pequena. A titular da pasta transferiu seu gabinete para o parque Assis Brasil, onde despachará hoje e amanhã. A agenda já acumula pedidos de diferentes setores produtivos do Rio Grande do Sul. Oficialmente, o primeiro compromisso marcado é o encontro com o governador Eduardo Leite, na Casa Branca, sede do Executivo na feira.

Ao meio-dia, faz visita à Federação da Agricultura do RS (Farsul), onde está marcado almoço com a presença de integrantes e do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins. Na sequência, participa de reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária, da qual é ex-presidente.

A pauta do arroz, necessariamente, entrará no cardápio. O setor vive profunda crise e busca medidas urgentes para resolver a questão do endividamento, acentuado na última safra por conta de fatores como custos de produção elevados e redução significativa da produção – que encolheu quase 1 milhão de toneladas. Recentemente, foi aprovada prorrogação do custeio. Mas isso está longe de solucionar o problema.

– Ainda que se olhe para frente, com medidas para baixar o custo de produção, temos um passado para resolver. Os últimos três anos foram desafiadores, com problemas climáticos e de mercado. E não foi dado o tratamento correto – pontua Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.

A proposta, já apresentada, e que será reforçada, é a de renegociação das dívidas de produtores, por 15 anos, "sem recursos públicos", diz Luz:

– Diminui o compulsório dos agentes financeiros, que ficam obrigados a usar esses recursos exclusivamente para a renegociação, com juro de 100% da taxa CDI.

Outro pedido, vindo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Ftag-RS), será por medidas que atenuem as dificuldades do setor leiteiro, como compra governamental do produto e leilões (PEP e Pepro).

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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