CAMPO ABERTO – O papel dos laudos na polêmica do 2,4-D

São esperados para esta semana os primeiros resultados de amostras encaminhadas para análise por suspeita de contaminação pelo herbicida 2,4-D. Os laudos são determinantes para confirmação ou descarte das suspeitas que se acumulam na Secretaria da Agricultura. Até a sexta-feira, eram 73 denúncias de deriva. Em pelo menos 35 houve coleta. A primeira foi em 8 de outubro.

No ano passado, foi a comprovação do resíduo em 69 de 81 amostras que abriu amplo debate sobre o tema, culminando com novas regras para aplicação.

Produtores das culturas atingidas – uva, maçã, noz-pecã e azeitona – estão preocupados com a repetição e a escalada das queixas. Temem a inviabilização da diversificação. Tanto que a Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha voltou a solicitar ao Ministério Público Estadual (MP) a suspensão do uso do produto, como publicado por Zero Hora no final de semana. Valter Pötter, da Estância Guatambu, argumenta que as normativas não estão funcionando. Nova reunião será na quarta-feira.

Responsável por inquérito civil, o promotor Alexandre Saltz entende que é preciso ter evidência científica para que se possa avaliar a efetividade das medidas e eventual mudança na estratégica de combate. Hoje, regras preveem assinatura de termo de responsabilidade, treinamento e cadastro dos aplicadores, informe à secretaria da aplicação e venda assistida.

O 2,4-D serve para combate da buva, uma erva daninha, em lavouras de soja. É visto como ferramenta importante e sua suspensão, como algo complicado pelos sojicultores. Luis Fernando Fucks, da Associação dos Produtores de Soja do RS, diz que é preciso aguardar os resultados. E avalia que o número de denúncias pode ser reflexo da maior comunicação dos casos.

É por tudo isso que as análises são fundamentais. A partir delas o debate sobre o problema se torna concreto.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora