CAMPO ABERTO – O HOMEM QUE FEZ DA AGRICULTURA FAMILIAR UMA BANDEIRA

A gricultura familiar do Rio Grande do Sul perdeu no sábado um de seus maiores expoentes. Ezídio Vanelli Pinheiro tinha 74 anos e é considerado uma referência na defesa de temas ligados aos pequenos produtores. Esteve por três mandatos à frente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), onde ajudou a implementar as principais bandeiras do segmento. Também foi vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e deputado federal por um mandato, assumindo um segundo período como suplente.

Natural de Frederico Westphalen, era agricultor e começou a atuar no movimento sindical ainda na década de 1970. Em 1983 assumiu o primeiro mandato como presidente da Fetag-RS. Viria a ocupar outros dois mandatos no comando da entidade: de 1989 a 1994 e de 2003 a 2007.

Amigos e colegas lembram das marcas pessoais de Ezídio: era um grande negociador, aglutinador de pessoas. A história do próprio segmento se confunde com a de Ezídio. Levantou bandeiras importantes, como a defesa de que a agricultura familiar precisava ser vista como algo específico, o debate sobre a Previdência, o acesso à terra e a adoção dos transgênicos no Rio Grande do Sul.

– Foi um dos mentores do Banco da Terra. Também comprou briga, com o Sperotto (Carlos Sperotto, presidente da Farsul à época), pelos transgênicos – conta Carlos Joel da Silva, atual presidente da Fetag-RS.

Secretário-geral no segundo mandato de Ezídio e sucessor na presidência da entidade, o deputado estadual Elton Weber (PSB) vê na figura do dirigente a de um professor:

– Era uma pessoa ativa, determinada e positiva em tudo o que fazia.

Diretor da Federação da Agricultura do Estado, Francisco Schardong reforça a liderança de Ezídio entre os pequenos produtores e lembra dele como "um parceiro das grandes lutas do setor".

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora