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CAMPO ABERTO – O EFEITO DO MAU TEMPO NOS EUA

Entre os fatores que impactam na formação do preço da soja no Brasil, um deles vem ganhando destaque desde o início do mês. Os valores do grão na Bolsa de Chicago têm acompanhado o compasso das previsões de tempo. O excesso de chuva não só atrasou a janela de plantio nos Estados Unidos como também pode comprometer a produtividade das lavouras.

E isso alimentou as cotações. Segundo Argemiro Brum, analista de mercado e professor da Unijuí, o valor do bushel – medida equivalente a 27,2 quilos – cresceu US$ 0,60 nos últimos nove dias úteis, considerando os contratos de julho. Ontem, o valor fechou em US$ 9,14. A alta veio um dia depois de recuo importante – na quarta-feira, a cotação havia ficado em US$ 9,03 para igual período.

– O tempo continua úmido em muitas regiões nos Estados Unidos. Tanto no milho quanto na soja, a janela ideal de plantio já fechou. Agora, a expectativa é ver quanto da semeadura se dará fora desse período – acrescenta Brum.

Além do atraso, há preocupação com a produtividade. Há duas semanas, a projeção era de perda de 10 sacas por hectare no milho. Os olhares do mercado se voltam para a próxima sexta-feira, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve divulgar o relatório consolidado do cultivo da atual safra.

– A expectativa é ver que área será apontada no levantamento – pontua o analista.

Outro ponto importante no radar do mercado é o aceno do presidente americano Donald Trump de que as negociações com a China devem ser retomadas. Os dois países travam desde o ano passado uma batalha comercial com efeitos globais.

Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Luis Fernando Fucks diz que, diante do cenário de mau tempo na safra americana, a perspectiva era de que o impacto sobre preço fosse maior:

– A gente está tentando entender por que não subiu mais. O que aconteceu neste ano nos EUA em relação ao clima é sem precedentes.

Em reais, no entanto, essa valorização em Chicago acabou sendo neutralizada pelo fator dólar – houve recuo no valor da moeda americana – e pelos prêmios, acrescenta o dirigente.

O BARATO DE STARTUPAR

Foi-se o tempo em que apostar em negócios inovadores era coisa de gente com ideias malucas ou com muito dinheiro. A realidade atual mostra que o aporte para a criação de uma startup vem reduzindo muito. O gaúcho Cristiano Kruel, chefe de inovação da StartSe, empresa de educação do segmento, pontua que a nova economia tem democratizado o acesso.

– O custo de experimentar um novo negócio, de "startupar", caiu drasticamente, ficou acessível. Não precisa nem ser tão louco, nem tão rico – brincou ele em palestra na Agrotech Conference, realizada em São Paulo.

Na ótica da chamada nova economia, tudo gira em uma velocidade muito rápida e o poder muda de mãos, criando um novo tabuleiro de competição global. Neste cenário, o motor do desenvolvimento vem de três engrenagens, interligadas: novas tecnologias, economia e gestão.

– A startup é um experimento. E a quantidade de experimentos no mundo explodiu. É um movimento econômico sustentável – complementa Kruel.

Realidade que também se consolida na inovação do agronegócio. Hoje, o maior aporte de investimentos nas AgroTechs (veja acima) está na inteligência artificial.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Canal Rural

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