CAMPO ABERTO – NOVO MODELO DE CRÉDITO AGRÍCOLA DARÁ FIM A UMA ERA

Com sugestões do setor produtivo, o governo Bolsonaro está construindo um novo modelo de crédito agrícola encerrando um ciclo de mais de 20 anos que, segundo especialistas, chegou ao colapso. As mudanças estão focadas em três problemas: risco do produtor, escassez de crédito e endividamento rural.

– A nova política agrícola é muito mais moderna, alinhada à realidade e às necessidades atuais – adianta o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, que está participando das discussões com a equipe econômica do governo em Brasília.

O novo modelo, desenhado com ajuda da Comissão de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), prevê a utilização de instrumentos do mercado financeiro. A intenção é permitir que o produtor tenha uma oferta maior de crédito, com juro menor, por meio de investimentos vindos de diversas fontes – inclusive estrangeiras.

– Da maneira como está hoje, a política de crédito não é mais eficiente. A distância entre os valores anunciados e o concretizado vem aumentando a cada ano – afirma Luz.

De 2014 a 2018, os custos da produção agrícola aumentaram 22% no país e a disponibilidade de recursos caiu 11%. Nesses quatro anos, acrescenta o economista, o volume de produtores que acessaram o crédito oficial no país reduziu 25%, o equivalente a cerca de 400 mil produtores em todo o Brasil. Hoje, o Rio Grande do Sul é o maior tomador de financiamento rural.

Os sinais de que a atual política agrícola econômica passará por uma transformação começaram a ser dados. Na semana passada, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou que a atividade rural pode se financiar a taxas de mercado e que a instituição percebe a intenção do governo de estimular o uso de seguros. Na mesma semana, a instituição confirmou a indisponibilidade de recursos para o pré-custeio, normalmente liberado nessa época do ano.

– Essas mudanças estão sendo pensadas em um período de juro mais baixo da história e sem pressão inflacionária. Mas é preciso lembrar que o setor agrícola é subsidiado no mundo, como nos Estados Unidos e na Europa. Para ser competitivo no mercado internacional funciona assim – pondera o especialista em bancos João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho & Associados.

3218-4714

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora

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