CAMPO ABERTO – NEGÓCIO CHINÊS QUE NÃO FAZ BEM AO BRASIL

Destino de quase 11% da carne de frango exportada pelo Brasil no ano passado, a China tem sido motivo de preocupação. Indústrias do segmento acompanham o desenrolar de negociação entre o país asiático e os Estados Unidos, maior produtor mundial dessa proteína. As tratativas são referentes à reabertura de mercado chinês em 2015, os asiáticos fecharam as portas ao produto americano por conta de um surto de influenza aviária.

A retomada, neste momento, representaria uma pedra no sapato das empresas brasileiras. É que, desde a metade do ano passado, sob a alegação da prática de dumping por parte do Brasil, a China impôs tarifas que variam de 18% a 36%, conforme a empresa.

– Desde que houve o embargo aos EUA, o Brasil ocupou 60% do espaço deles. Aí, a China eleva a nossa tarifa e faz acordo com os americanos? Isso complicaria bastante – diz Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), sobre eventual acordo entre as duas potências.

É a combinação de todos esses fatores que traz preocupação. Porque o Brasil é, com folga, o maior exportador de frango – o segundo colocado são os EUA, mas com diferença de mais de 1 milhão de toneladas.

Na produção, as posições se invertem. Com um detalhe: a maior parte da carne dos EUA é consumida no mercado interno.

O caso das taxas aplicadas ao produto brasileiro foi parar na Organização Mundial de Comércio (OMC). Os chineses levantam a suspeita de dumping. A defesa foi feita e falta agora ser avaliada – as batalhas travadas no organismo internacional costumam ser longas e desgastantes para todas as partes envolvidas. É por isso que a indústria defende participação do governo federal no processo.

– Para acelerar o processo de julgamento na OMC e negociar mais com a China – pontua o dirigente da ABPA.

Isso, sim, seria um negócio da China para o Brasil.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora