CAMPO ABERTO – Mudança de fonte

A indústria é hoje a principal financiadora das lavouras de arroz do Rio Grande do Sul. Levantamento feito pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mostra que, no curto período de 10 anos, as empresas ocuparam o espaço antes destinado ao crédito oficial. Em 2010, não tinham participação. No ano passado, responderam por metade dos financiamentos necessários para o custeio da cultura. Ou seja: se tornou a principal fonte de recursos para viabilizar o plantio do cereal.

– Essa situação reforça que o crédito oficial, tal como está hoje, chegou a um esgotamento – diz Antônio da Luz, economista-chefe do sistema Farsul.

A dependência dos recursos da indústria tem duas faces. Ao mesmo tempo em que tornou possível a manutenção dos patamares de produção, traz condições que nem sempre são as mais favoráveis para o produtor.

– Esse avanço reflete dificuldade de acesso ao crédito, seletividade, também pela baixa rentabilidade do setor. Em razão do endividamento e das dificuldades de garantias, acabou tendo como única alternativa de financiamento a indústria e os fornecedores de insumos – salienta Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).

Outro ponto que chama a atenção, observa Luz, é o encolhimento do capital próprio, de 35% para 10% do total. Sem caixa, o agricultor nem sempre consegue aproveitar as melhores oportunidades, com impacto direto sobre a renda.

A abertura oficial da colheita do arroz será realizada hoje, em Capão do Leão, no sul do Estado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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