CAMPO ABERTO – MODELO DO PARANÁ NO DEBATE DO 2,4-D

O problema enfrentado pelo Rio Grande do Sul e que será tema de audiência pública hoje, na Assembleia Legislativa, já foi vivido pelo Paraná. No início dos anos 2000, também estava às voltas com prejuízos causados pela deriva do herbicida 2,4-D. O Estado chegou a ter o uso do produto restrito em alguns municípios. E desenvolveu iniciativa Acerte o Alvo.

A ação virou programa de Estado que soma 15 anos e será um case apresentado pelo professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná Robinson Osipe no debate no parlamento gaúcho. Engenheiro agrônomo e doutor em Agricultura, ele atua nas áreas de matologia e agroecologia e deve falar em nome da Iniciativa 2,4-D, que reúne fabricantes de produtos à base do princípio ativo e busca disseminar informações sobre o produto.

– Foi um treinamento maciço e grande salto de mudança. O Paraná chegou a ter 20 cidades com restrições de uso – diz Osipe.

O programa está aos cuidados da Secretaria da Agricultura e é executado pela Emater do PR. O diretor técnico do órgão, Nelson Harger, diz que houve grande avanço na capacitação dos agricultores, mas que a ideia é evoluir para uma próxima etapa:

– Queremos retomar com a inspeção de máquinas. Somente assim vejo possibilidade de mudar radicalmente o problema.

Segundo Harger, cerca de 40% das máquinas ainda oferecem risco médio e alto para a deriva. Por isso, a proposta é fazer vistoria nos equipamentos usados na aplicação.

No Rio Grande do Sul, o debate segue aberto. A Secretaria da Agricultura mantém a aposta nas soluções vindas do grupo de trabalho. No final do mês passado, em audiência no Ministério Público, que tem inquérito civil aberto, o órgão deu prazo de um mês para que o Estado se manifeste. Depois desse período, o promotor Alexandre Saltz deve avaliar as possibilidades de medida judicial para suspensão ao produto.

Para os produtores de culturas afetadas pela deriva, essa é a única medida capaz de aplacar o problema. A opinião não é compartilhada pela Federação da Agricultura do Estado, que defende, entre outras ações, a capacitação – o Senar-RS tem o programa Deriva Zero.

A audiência na Assembleia foi proposta pelos deputados Luiz Marenco (PDT) e Edegar Pretto (PT), que tem projeto de lei para proibição do herbicida no RS.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora