CAMPO ABERTO – MEDIDAS PARA O ARROZ DEVEM FICAR PARA BRASÍLIA

Tradicionalmente, as cerimônias de abertura da colheita costumam ser o palco escolhido por autoridades para fazer anúncios esperados por produtores. Não é diferente com o arroz, que dá a largada oficial hoje, em evento que ocorre em Capão do Leão, zona sul do Estado. Medidas de apoio e capazes de amenizar a crise enfrentada pelo setor devem ser colhidas, no entanto, mais tarde.

A ausência da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e reunião marcada para terça-feira, dia 26, em Brasília, são indicativos.

A titular da pasta estará representada na cerimônia pelo secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio Marques – que terá a companhia do colega Fernando Schwanke, secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo. Ainda que Marques tenha papel fundamental nas definições a serem feitas, a divulgação de ações de grande impacto, via de regra, costuma ser prerrogativa do chefe.

O secretário passou parte do dia de ontem na sede da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), onde recebeu em mãos os dados levantados pela entidade sobre as perdas na produção de grãos gaúcha. A proposta de securitização das dívidas foi apresentada quando Tereza Cristina veio ao Estado ver de perto os estragos da chuva. Mas diante do atual cenário econômico, no entanto, até os arrozeiros acham improvável que saia do papel.

Cálculo da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz) indica que, entre valores renegociados e perdas, o montante seja de, no mínimo, R$ 1,5 bilhão.

Anderson do Nascimento, gerente de mercado agronegócio do Banco do Brasil, instituição que tem 60% do crédito rural no Estado, diz que há orientação para que seja feita a prorrogação dos prazos nos casos em que as perdas foram diagnosticadas, conforme o Manual do Crédito Rural. Ele reforça que, na última safra, foram prorrogados R$ 300 milhões de custeio do arroz.

– Teremos oportunidade de conversar com o governador do Estado e pretendemos dar andamento a pautas locais – diz Alexandre Velho, vice-presidente da Federarroz, em referância a ICMS, porto e Instituto Rio Grandense de Arroz.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora