CAMPO ABERTO – Liminar para barrar ocupação

Com liminar obtida na Justiça, a direção da Cotrijui se blindou contra possível ocupação da sede em Ijuí, no Noroeste. O juiz plantonista da comarca da cidade acatou pedido e determinou que três integrantes do movimento denominado Recuperação da Cotrijui abstenham-se de ocupar ou obstruir o acesso de pessoas e produtos. Nem por isso, o grupo promete ficar parado.

Os organizadores marcaram reunião para a tarde, no sindicato rural, em que definirão os próximos passos. Eles aguardavam, no entanto, que as dívidas fossem quitadas até o fim do dia de ontem.

– Se não pagarem, tomaremos a decisão de quando e como vamos fazer a mobilização – diz Edson Burmann, um dos integrantes.

A Cotrijui, que figurou como uma das principais cooperativas do Estado, está desde setembro de 2014 em liquidação voluntária (medida semelhante à recuperação judicial das empresas). Tem dívida estimada em R$ 1,8 bilhão, 6 mil associados ativos e capacidade estática de quase 1 milhão de toneladas.

O processo foi tumultuado desde o início – a assembleia em que se decidiu pela liquidação foi tensa, e o resultado, contestado por parte dos associados. Agora, surge novo movimento que questiona, entre outras coisas, atraso nos pagamentos e venda de grãos depositados sem consentimento dos associados (veja ao lado o que diz o presidente liquidante). O fato é que mais de três anos se passaram, e a Cotrijui ainda luta para recuperar a saúde financeira.

Em caso recente de cooperativa que saiu da liquidação, ficou claro que a participação do quadro social é fundamental para a virada de chave.

"O fluxo de caixa é apertado"

eugênio frizzo

Presidente liquidante da Cotrijui

Desde outubro do ano passado, Eugênio Frizzo responde como presidente liquidante da Cotrijui. Ele já fazia parte da direção na gestão de Vanderlei Fragoso, que ficou no comando durante três anos. Ontem, Frizzo conversou com a coluna sobre o atual momento da cooperativa. Confira trechos da entrevista.

Vocês entraram na Justiça para obter liminar. Não houve tentativa de diálogo com o grupo?

Iam invadir, e a Justiça não permitiu. Não houve tentativa de diálogo conosco. Dos líderes, um é associado, mas não ativo, um tem ação trabalhista e outro é ex-funcionário. Não reconhecemos essas pessoas como credenciadas. Estamos dispostos a conversar. Mas temos de manter contato com quem é nosso público.

Há pagamentos atrasados?

Existem. A cooperativa vive crise econômica muito grande. O mecanismo para credores receberem é a penhora bancária. Trabalhamos com fluxo de caixa muito apertado. E isso faz com que o pagamento tenha de ser reprogramado, causando descompasso. Já estamos tomando medidas administrativas. Dentro de um ou dois meses, devemos conseguir colocar no compasso certo. Sabemos o valor, mas preferimos não revelar. É possível de ser pago.

E quanto à negociação indevida de grãos?

Isso não ocorre. No final do ano, fizemos todo levantamento da Cotrijui. Pode até haver diferença entre os estoques constantes e os existentes. Deve-se a descontroles internos e questões de quebras técnicas. Não fizemos venda de produto. Levamos a sério a conferência dos estoques. Há auditoria.

Por que a recuperação está demorando tanto?

É um negócio muito grande. Temos mais de 50 endereços com negócios. O primeiro é em Vista Gaúcha e o último, em Bagé. Havia históricos desajustados da realidade. As anotações contábeis não eram fidedignas. Hoje, estamos em condições de propor negociações. Esperamos ainda neste ano gerar plano de pagamento.

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) pagou a indenização referente a 2.770 animais no ano passado no Rio Grande do Sul. A prestação de contas, que foi realizada ontem, apontou ainda um saldo de R$ 76,79 milhões, R$ 8,7 milhões a mais do que no final de 2016.

Languiru dividida

Segunda maior cooperativa de produção do Estado, com faturamento na casa do bilhão, a cooperativa Languiru vive um impasse interno. Presidente e vice acabaram ficando em lados opostos após assembleia geral extraordinária, realizada na semana passada, em que o conselho fiscal foi destituído.

Dirceu Bayer, o presidente, diz que foi convocada a assembleia em razão de o conselho fiscal ter "transgredido as normas da cooperativa e extrapolado suas funções" – o caso foi parar até na Câmara de Vereadores de Teutônia, onde está a sede da Languiru.

O conselho fiscal chegou a entrar na Justiça, solicitando uma auditoria externa. O presidente alega que já existe auditoria feita pela PwC.

Renato Kreimeier, o vice, avalia que destituir o conselho fiscal "é muito complicado". E afirma defender uma "gestão transparente, voltada ao associado". Na assembleia, chegou a afirmar que renunciaria se o grupo fosse destituído.

no radar

SERÁ LANÇADA no dia 6 de fevereiro, no Plaza São Rafael, em Porto Alegre, a Expodireto-Cotrijal. A feira, que ocorre de 5 a 9 de março em Não-Me-Toque, no norte do Estado, faturou na edição do ano passado R$ 2,12 bilhões.

problema no leite restrito à europa

Segunda maior empresa em captação de leite do país, a multinacional Lactalis se apressou ontem em dizer que o problema de salmonela detectado em fórmula infantil da marca não afetava o Brasil.

Em dezembro do ano passado, a companhia descobriu a bactéria em um lote do leite produzido em Craon, na França. Até agora, 35 bebês teriam sido contaminados na França, dois na Espanha e há um caso suspeito na Grécia. O presidente da Lactalis, Emmanuel Besnier, determinou o recolhimento de 12 milhões de caixas de produtos em 83 países. Embora a lista desses destinos não tenha sido detalhada, a empresa garantiu que o Brasil não está nela. "A Lactalis informa que o problema relacionado à contaminação do leite infantil está restrito à Europa (…) não sendo o Brasil um destino do produto em questão".

A Lactalis é proprietária das marcas Parmalat, Batavo, Elegê e Poços de Caldas. No Rio Grande do Sul, tem cinco unidades produtivas – uma em Teutônia, duas em Três de Maio, uma em Santa Rosa e uma em Ijuí.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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