CAMPO ABERTO – LEILÕES PARA TENTAR SEGURAR PREÇO DO ARROZ

Na busca por não deixar o preço do arroz despencar ainda mais com o início da safra, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura confirmou ontem realização de leilões de Prêmio para o Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro). A primeira operação, entre 250 mil e 500 mil toneladas, está prevista para 23 de fevereiro.

O anúncio atende grande parte do pleito levado a Brasília ontem por Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). As entidades pediam 1,2 milhão de toneladas de PEP e Pepro para exportação, mais Aquisições do Governo Federal (AGF) de 200 mil toneladas, que ainda será analisada pelo governo. PEP e Pepro têm garantidos R$ 100 milhões e, segundo a Farsul, são suficientes para o total de 1,2 milhão de toneladas, conforme novos leilões sejam oficializados.

Apesar do anúncio de ontem, segue a inquietação no Interior. Insatisfeitos com os resultados das reivindicações da categoria levadas pelas entidades do setor, produtores do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná fazem hoje mobilização em Restinga Seca, região central do Estado, para definir pautas prioritárias. São esperadas mais de 2 mil pessoas, reunidas pelo movimento ressurgido "Te mexe, arrozeiro". A agonia é acentuada pelos preços abaixo do custo de produção em plena entressafra.

O presidente da Associação dos Arrozeiros de Restinga Seca, André Tonetto, avalia que prorrogação de dívidas, entrada de arroz do Paraguai, cobrança do Funrural e preços são alguns dos temas mais urgentes.

– Cada região discutiu as suas pautas e vamos alinhar para ver quais são as prioridades da classe – diz Tonetto.

Entre os alvos do movimento está a Federarroz. A Farsul também não passa incólume às críticas. A bancada ruralista, entende Tonetto, até tem bons projetos, mas parece faltar força política para garantir resultados.

– Essa notícia (do PEP e Pepro) não nasceu ontem. Trabalhamos para chegarmos aqui. Evidentemente, não conseguimos tudo. Mas estamos agindo para evitar o caos – rebate o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, alegando que agora era necessário tratar dos problemas de curto prazo, enquanto seguem negociando questões mais complexas, como o endividamento.

Um dia após a Justiça determinar a liquidação judicial da Cotrijui e destituir o presidente liquidante Eugenio Frizzo, o clima era de muita incerteza entre os 1,1 mil funcionários e a população de Ijuí, no noroeste do Estado. O sentimento de frustração com a situação da cooperativa que chegou a ser a maior da América Latina era expressado por produtores, associados e agentes públicos.

– A comunidade sente uma grande tristeza ao ver uma cooperativa como a Cotrijui agonizando. Os produtores e municípios tiveram e ainda terão perdas econômicas expressivas – lamentou Valdir Zardin, produtor e vice-prefeito de Ijuí.

Logo após o meio-dia de ontem, o administrador judicial Rafael Brizola Marques assumiu a cooperativa, conforme determinado no dia anterior pelo juiz Nasser Hatem, da 1ª Vara Cível da Comarca de Ijuí.

– O papel do administrador judicial é apurar as dívidas da cooperativa, montar uma relação de credores, arrecadar, avaliar e alienar os bens para, então, pagar os credores. Em regra, é isso – explicou Marques.

O advogado ponderou que esse é um processo atípico em razão da importância social da cooperativa para o Rio Grande do Sul.

– As liquidações judiciais não costumam ser rápidas, pois envolvem muitas questões. Não há como prever um tempo para que o processo chegue a seu resultado final – completou. Incerteza na Cotrijui

caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

Fonte : Zero Hora

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