CAMPO ABERTO | Joana Colussi Visto para carne brasileira seduzir novos mercados

 
  • Os 19 frigoríficos brasileiros com condições sanitárias para vender carne in natura aos Estados Unidos começam a planejar os primeiros embarques nos próximos 90 dias. No Rio Grande do Sul, três plantas deverão ser beneficiadas inicialmente: unidades do Marfrig em Bagé e Alegrete e do Frigorífico Silva, em Santa Maria.
    O acordo de comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos, selado na semana passada, será oficializado hoje no Palácio do Planalto. Embora muito celebrado, colocando fim a negociação iniciada ainda em 1999, o acerto representa ganhos limitados – pelo menos no curto prazo.
    Isso porque os EUA impuseram cotas para a entrada de carne brasileira sem cobrança de impostos, assim como fazem com outros países aptos a exportar para eles. No ano passado, por exemplo, foram 736,6 mil toneladas – das quais Austrália e Nova Zelândia ficaram com 631,6 mil. Argentina e Uruguai têm cota de 20 mil toneladas cada. O restante, pouco mais de 60 mil toneladas, é dividido entre os demais exportadores. A expectativa é de que o Brasil seja fornecedor de carne para hambúrguer aos americanos, com a venda de cortes dianteiros.
    – Se o Brasil tiver cota de 20 mil toneladas, por exemplo, o Rio Grande do Sul entrará com 2 mil toneladas – calcula Zilmar Moussalle, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado (Sicardergs).
    Esse volume, acrescenta Moussalle, representa 2% do total de carne bovina in natura e industrializada exportada anualmente pelo Estado. Os ganhos maiores são esperados com a possibilidade aberta para exportar ao Canadá e ao México, integrantes do Nafta que seguem a lista americana para compra de carne.
    – Esses países não estabelecem cotas fixas, além de importarem cortes mais nobres, produzidos hoje principalmente no Estado – acrescenta Moussalle.
    Pensando mais alto, a carta verde poderá abrir a possibilidade de a carne in natura entrar em mercados gigantes e muito disputados, como Japão e Coréia do Sul.
    – Muitas outras portas irão se abrir para a carne brasileira, fomos para a primeira classe – disse à Zero Hora o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

    _____
    As exportações do Rio Grande do Sul de carne bovina in natura e industrializada chegam a
    100 mil
    toneladas por ano, segundo o Sicadergs. O volume representa quase 25% do total do país.

    _____
    No radar
    COMEÇA HOJE, em Gramado, a 53ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ). O encontro, com a participação de palestrantes internacionais, vai até quinta-feira, no Wish Serrano Resort. Na programação, nomes como Harinder Makkar, representante da FAO, que falará sobre dietas sustentáveis para alimentação animal. As inscrições podem ser feitas no próprio local.

    _____
    SAFRA PARA CRESCER
    Após colher a menor área de milho da história, e ver os preços dobrarem em menos de um ano, os produtores gaúchos começam a plantar a safra em que a cultura deverá voltar a ganhar espaço nas lavouras do Rio Grande do Sul. O estímulo vem da valorização do preço do cereal e também da possibilidade de fazer uma safrinha de soja no mesmo ciclo.
    – A segunda safra crescerá novamente, os produtores tiveram bons resultados nos últimos anos – estima Claudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Estado (Apromilho).
    A entidade estima que cerca de 200 mil hectares de soja tenham sido plantados após a colheita do milho, em janeiro. Para o próximo ciclo, a expectativa é de uma área de safrinha até 20% maior. O mesmo percentual é estimado para o aumento da área do milho no Estado.
    Para aproveitar a janela de plantio, agricultores da Região Noroeste têm adiantado a semeadura da cultura, começando os trabalhos ainda em julho (foto). Tradicionalmente, o plantio se intensifica em agosto e vai até a primeira quinzena de setembro.
    Como pontos negativos em torno da cultura, estão o alto custo de implantação da lavoura, especialmente por conta do preço da semente, e os possíveis riscos em relação ao clima em ano de La Niña, alerta o diretor técnico da Emater, Lino Moura.

    _____
    Os produtores rurais que contratarem empréstimos de custeio acima do limite do Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro), de R$ 300 mil, não precisarão mais contratar seguro rural como condição para acessar crédito agrícola. A resolução do Banco Central (BC) que vigorava desde 1º de julho, obrigando a contratação, foi derrubada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

    _____
    Expointer começa a ser montada
    Os portões do Parque Assis Brasil, em Esteio, serão abertos hoje para a montagem da 39ª Expointer, que começa no dia 27 de agosto. Até lá, cerca de 3 mil pessoas irão trabalhar nas estruturas dos estandes e na organização do parque.
    Entre as obras iniciadas e que deverão ser concluídas até o início da feira, estão a reforma do pavilhão do gado leiteiro e do deck do boulevard, onde ficam os restaurantes das associações.
    – Boa parte das obras estão sendo executadas em parceria com entidades privadas – destaca Sérgio Bandoca, subsecretário do parque Assis Brasil.
    O novo lavadouro de equinos, no portão 7, já foi concluído, com recurso de R$ 248 mil. Uma das obras mais expressivas, em andamento, é de uma capela ecumênica. A estrutura, na praça central, recebeu investimento de R$ 300 mil.

    _____
    Limite maior para compra de milho
    A partir desta semana, estará disponível para as as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o novo limite para compra de milho dentro do Programa de Vendas em Balcão, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Agora, os produtores poderão adquirir até 14 mil quilos por mês. Os preços de referência da venda direta levam em conta as cotações do produto no mercado local.
    Pela resolução anterior, que vigorava desde 2014, o limite era de 6 mil quilos por produtor em todas as regiões do país. O Programa de Vendas em Balcão tem como objetivo permitir que os criadores de animais e agroindústrias de pequeno porte tenham acesso aos estoques oficiais do governo em igualdade de condições com os médios e grandes criadores, por meio de vendas diretas a preços compatíveis com os dos mercados atacadistas locais.

  • Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *