CAMPO ABERTO | Joana Colussi suspensão das compras do paa preocupam

 

  • A suspensão das compras do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no Rio Grande do Sul, há pouco mais de dois meses por conta de apontamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), vem causado preocupação entre os produtores familiares. Embora o programa represente parcela pequena das vendas do setor, a falta de definição faz pairar dúvidas sobre o futuro da iniciativa criada em 2003.
    – O PAA é um programa importantíssimo para agricultura familiar, mas é preciso que tenha fluxo constante e maior volume de recursos, no mínimo o triplo do que temos hoje – defende Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag).
    A terceira e última chamada pública do PAA no Rio Grande do Sul em 2016, prevista para outubro, foi suspensa pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em razão do apontamento feito pelo TCU sobre regras do programa. No entendimento do tribunal, as compras não podem envolver produção que inclua algum processo terceirizado. Até mesmo cooperativas familiares, que precisam de algum serviço fora da agroindústria, não podem mais participar do processo.
    – É preciso melhorar o entendimento do que é terceirização. Às vezes, uma família pequena não consegue produzir todos os elos da cadeia, dependendo de algum produto terceirizado, muitas vezes oriundo de outros agricultores familiares – argumenta o dirigente.
    O assunto foi discutido ontem em audiência pública da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, que encaminhará pedidos de priorização do programa ao governo federal.
    – Os apontamentos do TCU mostram o desconhecimento do órgão sobre a dimensão de como funciona o programa, que beneficia mais de cinco mil famílias gaúchas – ressaltou o deputado Zé Nunes (PT), proponente da audiência.
    Presente no encontro, o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab até abril deste ano, João Marcelo Intini, disse que o TCU fez análise que dificulta a operação do programa.
    Segundo o superintendente da Conab no Estado, Carlos Bestetti, o volume de recursos destinado ao PAA neste ano foi de R$ 5,52 milhões para compra de 1,24 mil toneladas de alimentos. Produtos como leite, feijão e massa entram na lista de aquisições.
    O LANÇAMENTO NACIONAL do Programa Agroeduc, plataforma online de ensino à distância, será feito durante a 2ª edição do AgroSeminário Brasília 2016, promovido pelo Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA). A proposta, em formato de game, é voltada à capacitação de jovens produtores de leite em gestão das propriedades. O evento ocorrerá na próxima terça-feira, na capital federal.
    Carnes brasileiras exibidas
    em trens e táxis no japão
    Telas digitais em táxis e trens do Japão começaram a exibir ontem campanha publicitária de carne suína e de aves produzidas no Brasil. Anúncios com as mensagens “Brazilian Chicken: levando qualidade para as famílias japonesas desde 1980” e “Brazilian Pork: qualidade e sustentabilidade na sua mesa e em mais de 70 países” estão destacadas nos veículos do Narita Express – trem que faz o transporte de passageiros da área urbana de Tóquio para o Aeroporto Internacional de Narita e do terminal ao centro da capital japonesa.
    Promovida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a campanha busca fortalecer a imagem do produto brasileiro em um dos mercados mais exigentes do mundo.
    O Brasil é responsável por 77% de toda a carne de frango in natura importada pelo Japão (o terceiro maior comprador do produto brasileiro), com 340 mil toneladas exportadas nos 10 primeiros meses do ano – o equivalente a 9,4% de tudo o que o país embarcou no período.
    MÃO DE OBRA
    perdida
    No mesmo momento em que tenta reduzir a ociosidade de suas unidades, oferecendo descontos nas tarifas de armazenagem para as safras de trigo e milho, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) começa a perder funcionários que atuam justamente na operação dos serviços. Dos 63 trabalhadores contratados emergencialmente, três foram desligados em Capão do Leão na última semana e outros 11 terão seus contratos terminados em Camaquã no próximo sábado. A maioria das contratações vencerão ao longo de dezembro e janeiro.
    – Estamos tentando renovar esses contratos, mas estamos enfrentando problemas jurídicos – informa o presidente da Cesa, Carlos Kercher.
    Caso não seja possível alongar as contratações, a intenção é abrir nova chamada emergêncial. Para tanto, seria preciso a aprovação de projeto de lei na Assembleia Legislativa.
    – Estamos realocando pessoal para não atrapalhar a prestação dos serviços, mas poderemos, sim, ter dificuldades nas unidades de maior fluxo – admite Kercher.
    Os armazéns de Camaquã, por exemplo, têm capacidade para receber 1 milhão de sacas de arroz e de soja. Em São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo, a companhia fechou parceria com cooperativas para receber a safra. Por isso a preocupação quanto à necessidade de mão de obra.
    Os contratos desses funcionários vinham sendo renovados nos últimos anos. Em 2014, eram mais de 150 trabalhadores, sendo reduzido no ano passado para menos da metade. O quadro de servidores ativos da estatal é de pouco mais de 50 pessoas.
    A primeira loja boutique da marca RAR/Rasip, braço agropecuário do Grupo Randon, estará aberta ao público no próximo dia 8. Instalado na sede da empresa, em Vacaria, o espaço oferecerá maçãs, azeites de oliva, acetos balsâmicos, manteiga, creme de leite e queijos produzidos pela empresa. As prateleiras da boutique terão ainda produtos premium importados, como massas, molhos de tomate, especiarias e acessórios para apreciadores de vinho.
    O preço médio do trigo no Rio Grande do Sul continua em queda. Segundo boletim conjuntural da Emater divulgado ontem, a cotação está em
    R$ 29.
    Hoje, serão realizados leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e de Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) para escoar 215 mil toneladas do produto na Região Sul.

    Fonte : Zero Hora

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