CAMPO ABERTO | Joana Colussi PIB DO AGRO RECUA PELO TERCEIRO TRIMESTRE SEGUIDO

 

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    Pelo terceiro trimestre consecutivo, a agropecuária acompanhou os demais setores da economia brasileira e fechou com o Produto Interno Bruto (PIB) em queda. A retração, porém, em nada tem a ver com os motivos que assolam a indústria e os serviços no país. Enquanto esses segmentos patinam em meio aos efeitos de uma das piores crises econômicas vividas pelo mercado doméstico, a agropecuária é afetada por problemas climáticos que reduziram a produtividade da safra no último ciclo.
    No terceiro trimestre do ano, quando aparecem os números da safrinha de milho do Paraná e do Centro-Oeste prejudicadas pelo El Niño, a agropecuária caiu 6% na comparação com igual período de 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, quando somam-se as perdas nas lavouras de soja e arroz do Sul, a retração do setor chega a 6,9%.
    – A queda não ocorreu por questões internas ligadas à conjuntura econômica e política ou por retração da demanda, mas por problemas climáticos – ressalta Rodrigo Feix, coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Além da quebra na produtividade do milho, principal “vilão” do resultado do PIB da agropecuária no terceiro trimestre, a alta do cereal aumentou os custos de produção da pecuária nos últimos meses. Sem conseguir repassar o reajuste ao consumidor final, as indústrias de carnes de frango e de aves amargaram prejuízos.
    Para o quarto trimestre do ano, a expectativa é de retorno do crescimento do PIB agrícola, por conta da recuperação da produção de trigo – depois de duas safras frustradas – e também pelo tradicional aumento da demanda por carnes no fim de ano. Mesmo assim, o setor primário deve fechar o ano com desempenho negativo, indica Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.
    – O produtor fez a sua parte, ampliou a área plantada, investiu em tecnologia. Mas a produção agrícola é muito sensível às questões climáticas – completa Luz.

  • DEFINIDO PRÊMIO DE LEILÕES DE TRIGO

    O valor máximo do prêmio de abertura dos leilões de trigo, programados para amanhã, será de R$ 183 por tonelada para lotes de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ao todo, serão ofertadas 215 mil toneladas, das quais 100 mil ao Rio Grande do Sul. Os leilões para escoar a safra de inverno serão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e de Prêmio para Escoamento do Produto (PEP).
    Em nota, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) informou que os próximos leilões estão programados para ocorrer nos dias 9 e 16 de dezembro. Do Pepro, poderão participar produtores rurais e cooperativas. Eles deverão comprovar a venda do produto para receber a subvenção do governo federal. Podem participar do PEP moinhos, comerciantes, indústrias de beneficiamento e indústrias de ração, que devem pagar o preço mínimo pelo cereal.

  • MAIS MADEIRA NO CAMPO

    Um dia após a Assembleia Legislativa aprovar o novo marco legal para as florestas plantadas no Rio Grande do Sul, o presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, falou sobre a necessidade de aumentar a área plantada no Estado e admitiu o risco de apagão florestal:
    – Comparativamente a outros países, temos muito poucas florestas plantadas. E se não ampliarmos a nossa base florestal, faltará madeira para atender à demanda mundial – prevê o presidente.
    O executivo destaca também a valorização dos produtos florestais no mercado internacional – onde são usados como fonte de energia renovável.
    – A tendência de energia verde está cada vez mais forte, com o mercado de pallets de madeira crescendo muito – exemplifica Nunes.
    As indústrias do setor precisam de produção florestal num raio máximo de 200 quilômetros, por conta do alto custo logístico para transportar a madeira. Até 2020, as empresas preveem investimentos de cerca de R$ 4 bilhões no Estado.

  • NO RADAR

    O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) será tema de audiência pública hoje na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa. Proposta pelo deputado Zé Nunes (PT), a reunião irá tratar do programa voltado ao fomento da agricultura familiar e às populações em situação de risco.

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    DEZEMBRO DECISIVO
    Determinante à produtividade do milho, dezembro começa com a expectativa de chuva mais regular. Com 70% das áreas plantadas em fase de desenvolvimento vegetativo, as lavouras precisarão de precipitações uniformes nas próximas semanas.
    – A chuva tem sido muito irregular, comprometendo áreas em determinadas regiões – admite Claudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho-RS).
    Segundo o dirigente, as lavouras prejudicadas até agora são as plantadas cedo, às quais serão colhidas no começo de janeiro para entrada da safrinha de soja.
    – A falta de chuva em períodos específicos não são recuperáveis, a cultura é muito sensível ao estresse hídrico – explica Jesus, acrescentando que precipitações mal distribuídas são típicas do La Niña.
    Os produtores que investiram em lavouras irrigadas, de 15% a 20% da área cultivada no Rio Grande do Sul, não têm do que reclamar. O sol forte com água em abundância é a combinação perfeita para o rendimento do milho.

  • RODEIOS E VAQUEJADAS LEGALIZADAS

    A lei que considera rodeios, vaquejadas e outras expressões artístico-culturais manifestação cultural nacional e de patrimônio imaterial foi sancionada pelo presidente Michel Temer. Em julgamento em outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional uma lei cearense que regulamentava eventos dessa natureza. Desde então, a proposta que visava à sua legalização ganhou força no Congresso Nacional.
    A vaquejada é uma atividade tradicional no Nordeste, na qual os vaqueiros têm como objetivo derrubar o boi, puxando-o pelo rabo. Movimentos contrários à atividade argumentam ser comum o tratamento cruel de animais. Com a sanção presidencial publicada no Diário Oficial da União, a prática passa a ter respaldo legal, assim como rodeios, provas de laço e paleteadas.

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    PROJETO QUE CRIA A POLÍTICA NACIONAL DE OVINOCAPRINOCULTURA AVANÇOU NO SENADO. ONTEM, A COMISSÃO DE AGRICULTURA DA CASA APROVOU O RELATÓRIO DO SENADOR LASIER MARTINS (PDT-RS) FAVORÁVEL À PROPOSIÇÃO, DE AUTORIA DE RONALDO CAIADO (DEM-GO). O PROJETO IRÁ DIRETO PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS, SEM PASSAR PELO PLENÁRIO.

    Fonte : Zero Hora

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