CAMPO ABERTO | Joana Colussi OXIGÊNIO EXTERNO PARA ALIVIAR RECESSÃO

 
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    Em meio à enxurrada de dados negativos resultantes da recessão econômica brasileira, as exportações têm conseguido trazer um pouco de oxigênio à pior crise dos últimos 25 anos. Após embarcar volumes históricos em 2015, o Brasil tende a bater novos recordes de vendas externas em 2016 com valores inflados pela desvalorização do real frente ao dólar.
    As perspectivas de crescimento são fundamentadas por uma nova supersafra de grãos, superior a 200 milhões de toneladas, e pela abertura de importantes mercados para as carnes bovina, suína e de frango. Soma-se à produção agropecuária farta, o apetite de países asiáticos.
    – Mesmo com a mudança de modelo de crescimento da China, a demanda por alimentos não deve ser alterada – projeta Tomáz Torezani, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    A China é o principal parceiro comercial do Rio Grande do Sul, especialmente pela importação de soja. Amanhã, a entidade irá divulgar o balanço das exportações em fevereiro. Um dos destaques, adianta Torezani, é o desempenho da soja nos dois primeiros meses do ano. Os embarques do grão saltaram de 1,5 mil toneladas em 2015 para 166 mil toneladas no mesmo período de 2016. Os embarques em época de entressafra, já que a colheita no Estado se intensifica em abril, é explicado por volumes guardados da safra passada.
    – Produtores decidiram esperar um momento de alta para vender, por isso seguraram o grão – explica Farias Toigo, analista de mercado.
    Apesar dos números favoráveis no campo das exportações, sabe-se que o mercado externo não consegue sozinho tirar a economia da UTI. A reação à crise passa, necessariamente, por medidas bem mais amplas.

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    COM O FUÇO NO MÉXICO
    Batendo na porta do mercado mexicano há dois anos, a produção brasileira de carne suína está muito próxima de acessar um dos maiores importadores mundiais do produto. Atrás somente do Japão, o México é estratégico para o Brasil reduzir a dependência da Rússia – destino de 45% dos embarques brasileiros de carne suína.
    Após participar de audiências com representantes do governo na Cidade do México, ontem, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que a liberação do mercado deve sair no começo do segundo semestre.
    – Está tudo muito bem encaminhado. Dependemos apenas de alguns detalhes formais – detalhou o dirigente.
    O primeiro Estado brasileiro a acessar o mercado mexicano deverá ser Santa Catarina, por conta do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação. O Rio Grande do Sul, livre de peste suína clássica, deve ter plantas habilitadas para exportação na sequência.
    – O que importa para os mexicanos é a questão sanitária. E, nesse quesito, o Brasil já demonstrou que tem condições de atender aos mais exigentes mercados mundiais – disse Turra, acrescentando que a liberação de exportações de carne de frango brasileira ajudou a estreitar as relações comerciais com o México.

  • NO RADAR

    A tributação de produtos vitivinícolas é tema de seminário hoje, em Farroupilha. O evento, realizado por Ibravin e Martinelli Advogados, ocorre no Seminário Apostólico Nossa Senhora de Caravaggio, a partir das 14h, com entrada gratuita.

  • DO CAPACETE PARA O CHAPÉU

    Com atuação no setor de petróleo e gás há quase duas décadas, a empresa Leuck IHP trocou os capacetes de obras de plataformas por chapéus de lavouras. Com a crise envolvendo o setor petroquímico no país, a fabricante de produtos de hidropneumática decidiu apostar no agronegócio. Até agora, a empresa gaúcha não tem do que se queixar:
    – Saímos de um mercado em crise para entrar em outro ávido por tecnologia e inovação – conta o diretor Estevão Leuck, diretor da empresa.
    Na Expodireto-Cotrijal, a fabricante praticamente esgotou os estoques de um produto exclusivo, apelidado na feira de “band-aid” de mangueira hidráulica. A peça funciona como um reparo para não deixar máquinas, como tratores e colheitadeiras, pararem de funcionar. A empresa lançou, em Não-Me-Toque, produto que chegará ao mercado nos próximos meses, um sistema universal para conexão de equipamentos hidráulicos.

  • ABATE EM REDE NACIONAL

    Ao causar indignação nas redes sociais por abater um cordeiro durante episódio do programa Tempero de Família, exibido no canal GNT, o apresentador Rodrigo Hilbert trouxe à tona um dos principais desafios da ovinocultura: reduzir a informalidade do setor. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), 95% dos abates no país são feitos sem nenhuma inspeção animal – nas propriedades (como no programa) ou em abatedouros clandestinos.
    – Isso ocorre pela desorganização da cadeia – lamenta o presidente da entidade, Paulo Schwab.
    Líder nacional na produção de ovinos, com um rebanho de 4,2 milhões de cabeças, o Rio Grande do Sul tem um percentual um pouco inferior de informalidade no setor, cerca de 85%, segundo a Arco. Schwab acrescenta que o abate clandestino não preocupa apenas pela questão da segurança alimentar, mas também pelo bem-estar animal.
    – Existem normas sanitárias e métodos modernos adotados para reduzir o sofrimento dos animais, desde o transporte adequado até a dessensibilização antes do abate – explica.

  • SEM GARANTIAS DE PRAZO AO CAR

    Em audiência ontem com deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, não deu garantias de que o governo prorrogará o prazo do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que se encerra em 5 de maio.
    A ministra orientou os produtores a irem registrando seus imóveis, pois quem aderir ao cadastro dentro do prazo terá vantagens, como acesso ao Programa de Regularização Ambiental, comercialização de Cotas de Reserva Ambiental e acesso ao crédito agrícola.

  • Fonte : Zero Hora

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