CAMPO ABERTO | Joana Colussi interina ESCOLHA DE KÁTIA ABREU DESAGRADA RURALISTAS

 
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    Ao permanecer firme no cargo de ministra da Agricultura, mesmo após o PMDB ter rompido formalmente com o governo federal, Kátia Abreu demonstrou claramente que sua voz de comando não precisa do apoio expresso de ninguém nem do setor agropecuário. A decisão provocou reações de entidades ligadas ao agronegócio, que defendem a saída da líder ruralista de um governo que estaria fadado ao fracasso.
    – Golpe é você ficar no governo sem apoio de ninguém, por decisão pessoal – criticou o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, que participou ontem de evento sobre o Código Florestal, em Brasília.
    A SRB já se posicionou favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, assim como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Para Junqueira, a permanência de Kátia é um equívoco pela falta de consciência de que não há mais espaço para colocar em prática qualquer plano.
    – Praticamente todo o setor agropecuário apoia o impeachment. Apesar de ser uma boa ministra, não há mais ambiente político para nada – conclui Junqueira.
    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que Kátia presidiu até assumir o Ministério da Agricultura, tem evitado se posicionar. Ontem à noite, o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto, iria se reunir em Brasília com os presidentes da CNA e da FPA.
    – Não teremos um posicionamento político. Mas iremos conversar para ver qual o melhor rumo neste momento – avisou Sperotto, que convocou uma nova reunião de diretoria da Farsul para a próxima semana.
    Quanto à postura de Kátia em relação ao governo, Sperotto evita colocar mais lenha na fogueira.
    – Ela é autônoma. A Kátia chegou ao ministério com um projeto pronto, da CNA. E está buscando uma maneira para continuar fazendo esse trabalho – disse.
    No dia seguinte ao rompimento formal do PMDB com o governo Dilma, a ministra despachou normalmente em Brasília. Pela manhã, participou do lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, no Palácio do Planalto. Na cerimônia, foi flagrada pelo jornal Folha de S. Paulo enviando mensagens nas quais afirma que ela e os outros cinco ministros do PMDB decidiram não deixar seus cargos – em acordo que teria sido selado com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). À tarde, publicou no Twitter que continuará no governo e no PMDB.
    CARNE SEM MOLHO MADEIRA
    O Grupo Pão de Açúcar divulgou que se compromete a controlar a comercialização de carne bovina nas suas mais de 800 lojas no país. Serão monitorados e bloqueados fornecedores envolvidos com desmatamento e violação dos direitos humanos na Amazônia. O anúncio é uma resposta à campanha Carne ao Molho Madeira, do Greenpeace, que critica os danos causados ao ambiente pela pecuária irregular.

  • ABCCC VAI PARA O VOTO

    Pela segunda vez nas mais de oito décadas da entidade, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) terá disputa para presidente. O candidato da oposição é Marcelo Moglia (foto ao lado), dono da cabanha Cala Bassa, de Aceguá.
    Segundo Marcelo e sua vice, Mariana Tellechea, da Paineiras, a candidatura é consequência da dificuldade para discutir mudanças na entidade. Entre as propostas estão a criação de novas modalidades de associação com custos menores para atrair mais criadores e levar a raça a crescer em outros Estados fora do Sul.
    – É possível, no mínimo, dobrar o número de sócios – diz Marcelo, lembrando que a entidade soma 2,8 mil associados, mas 60 mil pessoas têm animais registrados no país.
    A eleição será dia 31 de agosto. O candidato da situação deve ser o primo de Marcelo, Eduardo Moglia Suñe, vice na entidade.

  • FISCALIZAÇÃO COMPROMETIDA

    Um dos pilares das investigações comandadas pelo Ministério Público (MP) sobre a adulteração de leite no Estado, a análise de amostras no laboratório da Univates, de Lajeado, está parada há mais de quatro meses. A paralisação ocorreu por uma decisão que não era comum até agora.
    Em setembro do ano passado, o Ministério da Agricultura iniciou uma auditoria usual nos laboratórios da universidade. Nas vezes anteriores, porém, enquanto eram feitas as medidas corretivas solicitadas pelas autoridades, a estrutura permanecia credenciada e continuava fazendo as análises solicitadas pelo MP. Desta vez, porém, dia 12 de novembro do ano passado o credenciamento foi cancelado – e nenhuma das divergências se referia a lácteos.
    O promotor Mauro Rockenbach, responsável pela parte criminal da Operação Leite Compen$ado, lembra que o laboratório da Univates é o oficial do ministério no Rio Grande do Sul. As análises até poderiam ser feitas no Lanagro (ligado ao ministério), mas a capacidade é muito inferior, incapaz de atender à demanda.
    – Hoje, o Ministério Público não tem como atestar a qualidade do leite no Estado – observa o promotor.
    Eloni José Salvi, diretor-administrativo do Tecnovates, parque tecnológico da universidade onde ficam os laboratórios, explica que, agora, técnicos federais estão verificando as medidas corretivas. Depois, farão uma nova vistoria e, se considerarem que as exigências foram atendidas, o credenciamento poderá ser liberado. A demora pode chegar a seis meses.
    Sem o credenciamento, o laboratório não pode fazer as análises de amostra de leite pedidas pelo MP. Procurado, o Ministério da Agricultura não se manifestou.

  • EXEMPLO A NÃO SER SEGUIDO

    O Rio Grande do Sul foi citado por inúmeras vezes como exemplo a não ser seguido, durante evento sobre a implantação do Código Florestal, em Brasília, nesta semana. O baixo percentual de adesão ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) – menos de 15% faltando pouco mais de 30 dias para o fim do prazo – é avaliado como estratégia equivocada para encarar as mudanças propostas pela nova legislação.
    – Os Estados não devem adotar leis com interpretações menos restritivas à preservação ambiental, violando a norma federal. Isso gera insegurança jurídica – avaliou Maurício Guetta, assessor jurídico do Instituto Socioambiental.
    A referência é ao decreto estadual do Bioma Pampa, que foi questionado pelo Ministério Público Estadual e travou o CAR no Rio Grande do Sul. Entre os palestrantes do seminário, o entendimento comum é de que o prazo do cadastro não deve ser prorrogado outra vez.

  • O custo médio da produção de arroz no Estado na safra 2015/2016 chegou a R$6.715,34 por hectare, 17,4% acima do ciclo anterior, mostra cálculo do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

  • Fonte : Zero Hora

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